Embora o concerto na praia não tivesse a solenidade de uma apresentação em um grande teatro, a estrutura estava longe de ser improvisada. A orquestra convidada era a principal sinfônica da região, conduzida por uma maestrina de grande renome.
Assim que o público se acomodou, o evento começou. A maestrina loira ergueu os braços, e a seção de cordas iniciou a execução. Com mais um movimento ágil da batuta, os sopros se uniram à melodia. Em questão de segundos, o som de todos os instrumentos se fundiu com perfeição, criando uma música belíssima e romântica.
A sinfonia, somada à atmosfera do crepúsculo na praia e à brisa suave que soprava de vez em quando, tocou profundamente o coração de Eduarda.
Ela virou o rosto para Franklin e suspirou, encantada:
— Aqui é tão lindo e romântico, não é? Fazia muito tempo que eu não via uma paisagem assim.
Franklin fixou os olhos nela. Sustentando o olhar dele, Eduarda o ouviu dizer em voz baixa:
— Sim... Mas talvez a noite de hoje possa ser ainda mais romântica. Quer descobrir?
Eduarda piscou, confusa.
— Como assim?
Franklin segurou suavemente o pulso dela e se levantou.
— Vem comigo.
Ele a puxou com cuidado, guiando-a em direção à saída do evento.
— Para onde estamos indo? Você não me disse nada — Eduarda não estava chateada, apenas curiosa. — O concerto ainda nem acabou.
Franklin olhou para trás, colocou o dedo indicador sobre os lábios, pedindo segredo, e piscou para ela com um ar brincalhão.
— Não posso contar agora. É segredo.
Eduarda riu da expressão dele, mas não soltou a mão dele. Deixou-se conduzir até uma parte mais afastada e deserta da praia.
Ali, a melodia clássica ainda chegava aos seus ouvidos, mas parecia que o som dos próprios batimentos cardíacos era ainda mais alto.
Franklin a levou até um ponto na areia e pediu que se sentasse.
— Feche os olhos primeiro, está bem?
Mesmo sem entender o que ele pretendia, Eduarda obedeceu.
Com os olhos fechados, tudo ficou escuro. Segundos depois, ela sentiu uma luz cintilante atravessar a escuridão por trás das pálpebras.
— Pronto, pode abrir os olhos.
Eduarda abriu os olhos devagar e se deparou com o brilho intenso de vários sparkles, faiscando e iluminando o espaço entre os dois.
— Acho que você não precisa mais esperar.
Por um segundo, Franklin ficou paralisado, sem compreender de imediato o verdadeiro significado daquelas palavras.
Mas Eduarda não o deixou se perder em dúvidas. Olhando fundo em seus olhos, pronunciou cada palavra com firmeza:
— Eu acolho a sua esperança. Eu aceito.
O choque de Franklin durou pouco. Assim que entendeu, puxou-a para um abraço apertado. A emoção travou sua garganta, e lágrimas quentes escorreram por seu rosto, molhando os ombros de Eduarda.
Sentindo o corpo dele tremer levemente em seus braços, Eduarda sorriu e deu tapinhas suaves em suas costas.
— Por que tanto choro? Se você continuar assim, eu vou acabar chorando também.
Imediatamente, Franklin engoliu o nó na garganta e a abraçou ainda mais forte. Quando voltou a falar, a vibração do peito dele se transmitiu ao corpo dela.
— Você não vai chorar. Há muito tempo eu prometi a mim mesmo que nunca mais deixaria nenhuma lágrima cair do seu rosto. Eu sei que acabei quebrando essa promessa uma vez, quando deixei você passar por aquele acidente sozinha... Mas isso nunca mais vai acontecer. Nunca mais. Eu vou ficar ao seu lado para sempre, para que você tenha uma vida tranquila e feliz.
Ao ouvir aquelas palavras, Eduarda sentiu uma onda de calor invadir a alma.
Ouvir uma declaração tão pura fez seu coração se encher de doçura, como se transbordasse de afeto.

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