Um mês não é um período muito longo, mas também não é tão curto; contudo, era tempo suficiente para mudar muitas coisas.
Durante esse mês, Cícero recebia constantemente informações sobre possíveis pistas de Eduarda. Mas, todas as vezes que corria até o local, descobria que não passava de uma pista falsa.
Aos poucos, a desilusão começou a manchar seu coração.
Ele não parava de pensar onde Eduarda poderia estar naquele momento, o que estaria fazendo e por que ela se recusava a deixá-lo vê-la, mesmo que fosse apenas por um breve instante.
Ele também não tinha como saber o estado de saúde de Eduarda, se ela já havia acordado ou se sequer conseguiria acordar.
As pessoas só sentem o maior dos arrependimentos depois de perderem o que têm. Ele havia entendido essa frase de forma visceral.
Mas de nada adiantava entender ou se arrepender, pois isso não mudaria nada. Ele simplesmente não conseguia encontrar nenhum vestígio dela.
Damiano observava o patrão, que antes era vibrante e cheio de energia, transformar-se em alguém que passava os dias bebendo para afogar as mágoas, cada vez mais abatido e lamentável. Como um estranho na situação, Damiano não tinha o que fazer, e no fundo sabia que Cícero havia causado isso a si mesmo e, portanto, tinha que arcar com as consequências.
Naquele dia, enquanto Cícero estava bebendo sozinho mais uma vez em uma sala privativa, Damiano recebeu uma ligação de um número desconhecido.
Damiano atendeu e perguntou:
— Alô, quem fala?
— Quero falar com o Cícero. Onde ele está?
A voz do outro lado soava agressiva, mas um tanto familiar. Damiano levou um momento para reconhecê-la.
— O senhor é o Senhor Duarte?
Perguntou Damiano.
Rafael, agindo como um leopardo encurralado naquele momento, retrucou:
— Eu perguntei onde está o Cícero?!
Sabendo que Rafael e Cícero eram, de certa forma, amigos, Damiano revelou a ele a localização.
Rafael desligou o telefone bruscamente, pegou as chaves do carro e saiu.
Pouco tempo depois, enquanto Damiano ainda guardava a porta da sala privativa, viu uma figura alta se aproximando a passos largos.
Ao ver Rafael, Damiano o cumprimentou educadamente. No entanto, Rafael o ignorou por completo e, sem perder um segundo, empurrou a porta da sala privativa com brutalidade.
A porta bateu estrondosamente contra a parede. O barulho alto chamou a atenção de Cícero, que ergueu a cabeça e olhou para o invasor com os olhos injetados de sangue.
Reconhecendo Rafael, Cícero ergueu o copo, deu um grande gole de bebida e, de forma desajeitada, pousou o copo no balcão. Enquanto se servia de mais bebida, perguntou distraidamente:
— O que você está fazendo aqui?
Sem dizer uma palavra, Rafael avançou, agarrou Cícero pelo colarinho e o puxou brutalmente da cadeira.
Rafael usou muita força. Irritado, Cícero tentou afastar a mão que o segurava, mas, devido à fraqueza, não conseguiu. Então, uma certa ferocidade surgiu em seu olhar; ele ergueu as pálpebras e encarou Rafael, como se lhe lançasse um aviso silencioso.
Mas Rafael não demonstrou nenhum medo. Pelo contrário, gritou em plenos pulmões:
— Ela sofreu um acidente! E você não apenas falhou em salvá-la, como agora conseguiu perdê-la!
— Eu sou como você. Também quero encontrá-la.
Naquele instante, nenhum dos dois precisava dizer mais nada. Os sentimentos que nutriam por Eduarda eram cristalinos para ambos.
No período que se seguiu, as buscas por Eduarda já não eram conduzidas apenas pelos homens de Cícero, mas também pelos subordinados de Rafael. Ambos estavam caçando a mesma figura.
Porém, era como se essa pessoa tivesse evaporado da face da Terra. Não havia um único traço a ser encontrado; ela se tornara um fantasma, uma bolha de sabão estourada, como se nunca tivesse feito parte da vida deles.
Cícero olhou para Rafael e, subitamente, deu um sorriso.
Ele foi percebendo, aos poucos, que Eduarda era do tipo de pessoa fácil de se amar, e que aqueles que gostavam dela eram homens com padrões altíssimos, fosse Franklin ou Rafael.
Pensando por esse lado, quando Eduarda era mais jovem, certamente era tão popular quanto agora.
Mas naquela época, ele nunca vira ninguém ao lado dela. Eduarda dedicava toda a sua atenção e olhar unicamente a ele, e ele nunca havia percebido o seu valor; não sabia como apreciá-la.
No fim das contas, ele cavou a própria ruína.
Cícero quebrou o silêncio:
— Rafael, na verdade, você está na mesma situação que eu. Nenhum de nós sabe onde ela está agora. Então, de que adianta vir aqui me questionar?
Ao ver a expressão derrotada dele, Rafael, por um breve momento, sentiu uma pitada de pena.
— Eu não sou como você. Eu nunca a machuquei e ela não me odeia. Já você... pense bem em como ela vai tratar você quando voltar.

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