Era como ser empurrada para um inferno frio e sem fim.
A última coisa em que Eduarda pensou antes de fechar os olhos foi:
Ela havia vivido uma vida de puro sofrimento, e se pudesse abrir os olhos mais uma vez, jamais voltaria a ter qualquer ligação com aquelas pessoas, especialmente com Cícero, o homem que só lhe trazia dor, desejando nunca mais vê-lo.
Mesmo que se encontrassem novamente, ela não demonstraria o menor traço de misericórdia.
—
No aeroporto internacional, Cícero segurava a mão de Arthur enquanto atravessavam a ponte de embarque em direção ao portão.
De repente, ele sentiu uma dor no peito tão indescritível que o impediu de ficar de pé, fazendo com que sua figura alta caísse de joelhos no chão.
Arthur e Weleska levaram um grande susto ao ver a cena.
Arthur correu até ele apressadamente.
— Papai, o que aconteceu com você, está tudo bem?
No entanto, o menino percebeu duas marcas de lágrimas no rosto de Cícero.
— Papai, por que você está chorando?
Arthur tocou o rosto de Cícero com suas mãozinhas, enxugando as lágrimas.
Weleska também se aproximou.
— Cícero, o que houve, é grave?
Cícero voltou a si atordoado, sem fazer a menor ideia do que havia acontecido, apenas sentindo uma tristeza esmagadora cair sobre ele como uma espécie de telepatia, um tremor na própria alma que se espalhava por cada gota de seu sangue.
Diante da preocupação ansiosa de Arthur e Weleska, Cícero balançou a cabeça, forçando-se a reprimir aquela angústia insuportável em seu peito.
Ele se levantou e olhou para frente, ainda atônito, mas ciente de que precisava continuar caminhando.
— Não é nada, vamos.
Mas ele não conseguia afastar a sensação de que havia perdido algo de extrema importância.
Contudo, não tinha a menor pista do que poderia ser.
No portão de embarque, comissários de bordo profissionais os guiaram para dentro da aeronave, que decolou pontualmente pouco tempo depois.
Sob um céu claro, o avião seguiu em direção à sua rota internacional.
Cícero ouviu a previsão do tempo na voz da aeromoça pelos alto-falantes.
— O clima na região metropolitana está ensolarado e não foi afetado pelas fortes chuvas nos subúrbios, garantindo a nossa decolagem no horário previsto, e desejamos a todos uma excelente viagem.
Cícero olhou pela janela na direção dos subúrbios, notando que o céu por lá estava de fato coberto por nuvens escuras.
Nada de ruim deveria acontecer, mas mesmo com esse pensamento, a inquietação em seu coração não diminuiu nem um pouco.
O administrador da casa respondeu em um tom calmo.
— Não há o que fazer, o casamento planejado acabou não acontecendo, o senhor sumiu sem deixar rastros, é óbvio que a Sra. Castilho está furiosa.
A empregada questionou.
— Mas o que realmente aconteceu, o que houve no exterior para um casamento tão perfeito ser cancelado de repente?
O administrador da casa balançou a cabeça.
— Ninguém sabe ao certo, mas o fato é que o senhor mal pisou nesta mansão desde então, e acho que ninguém além de Damiano sabe o motivo.
A empregada sugeriu.
— Por que você não liga para Damiano e pergunta, a situação aqui na mansão está insustentável, até o Arthur foi mandado para a Praia Dourada, da família Machado, e se a Sra. Castilho continuar assim, como é que nós vamos viver?
O administrador da casa pensou por um instante e pegou o celular para ligar para Damiano.
— Damiano, por favor, me diga onde o senhor está agora, pois a Sra. Castilho está procurando por ele sem parar, e se for possível, peça para ele atender o telefone.
Damiano suspirou e olhou para o quarto em penumbra, onde um homem inerte e completamente bêbado estava jogado em uma poltrona.
Damiano respondeu.
— O Sr. Machado não está em condições de atender o telefone agora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes