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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 351

Ela empurrou a porta do carro com força, pouco se importando se o metal atingiria Cícero ou não.

Graças aos seus reflexos rápidos, o homem deu dois passos largos para trás, cedendo o espaço necessário para que ela desembarcasse.

O tom de Eduarda transbordava de uma hostilidade afiada quando o confrontou.

— O que você veio fazer aqui? Eu não me recordo de ter lhe enviado um convite, Sr. Machado.

Um lampejo de constrangimento atravessou o semblante de Cícero, mas ele rapidamente reconstruiu a sua habitual fachada de frieza.

Ele optou por ignorar deliberadamente o veneno que escorria das palavras dela.

Cícero justificou-se de maneira contida.

— Eu trouxe o Arthur para te encontrar e pensei em aproveitar para dar uma volta também.

A sua entonação carregava uma submissão inédita, quase como uma súplica muda implorando para não ser expulso dali.

Eduarda sentiu um desconforto físico diante daquela postura condescendente e atípica.

Aquela vulnerabilidade forçada não condizia em nada com a arrogância predatória que definia Cícero.

Com uma frieza cortante e distante, ela estabeleceu o seu limite.

— Se quer passear, faça isso sozinho. Não nos siga.

Recusando-se a desperdiçar mais tempo com ele, Eduarda lançou um olhar para Arthur, que os observava com os olhos arregalados no banco do passageiro.

— Arthur, vamos embora.

O garoto murmurou uma resposta constrangida antes de abrir a porta e descer do veículo.

Ele pegou a sua pequena mochila, ajustou-a nas costas e, com uma cautela palpável, segurou a mão de Eduarda.

Durante o trajeto pelo estacionamento, ele virou a cabeça repetidas vezes para observar Cícero de longe.

A figura solitária do seu pai apertou o seu coração infantil, mas ele percebia claramente a repulsa inflexível da sua mãe.

Tudo indicava que os sussurros assombrosos que escutara pelos corredores da mansão eram a mais pura verdade.

Eduarda puxou Arthur pela mão e marchou para frente.

Ao passar por Cícero, ela o tratou como um fantasma invisível, negando-lhe até mesmo um último olhar de desprezo.

Um espasmo de dor rasgou o peito de Cícero ao constatar a crueldade gélida com que ela o apagara da própria existência.

Sem qualquer intenção de recuar, ele assumiu a posição de uma sombra obstinada.

Ele os seguiu a uma distância segura, observando-os adquirir as entradas antes de comprar o próprio ingresso e adentrar os portões do parque.

A atração principal logo após a catraca era um carrossel majestoso, um imã irresistível para qualquer criança daquela idade.

Após ter o ingresso validado pelo funcionário, Eduarda liberou Arthur para correr em direção aos cavalos de fibra de vidro.

O garoto parou nos degraus da plataforma e questionou com dúvida.

— Mamãe, você não vem brincar comigo?

Eduarda balançou a cabeça de forma negativa e tranquilizadora.

— Não gosto desse tipo de brinquedo. Eu vou ficar aqui embaixo torcendo por você, pode ir.

— Tudo bem, então.

Sem conter a ansiedade, Arthur foi auxiliado por um monitor do parque a montar em um vistoso cavalo vermelho.

— Pode trazer água de coco também? Na verdade, quero três.

O garçom sorriu amavelmente para tentar alertar o menino do exagero.

— Amigão, os nossos copos de água de coco são imensos, você e a sua mãe não vão conseguir beber tudo isso.

Arthur riu abertamente e disparou a resposta com naturalidade.

— O terceiro copo é para o meu papai ali atrás!

O atendente assentiu surpreso.

— Ah, compreendo. Vou registrar o pedido adicional agora mesmo.

Embora a dinâmica daquela família despertasse certa curiosidade, o garçom engoliu as perguntas e voltou para o balcão.

Assim que o funcionário desapareceu, Arthur encolheu os ombros e lançou um olhar culpado na direção de Eduarda.

— Mamãe, você não ficou brava comigo, não é?

Comprar uma simples água de coco para Cícero era uma ofensa irrelevante demais para despertar a ira dela.

Ela balançou a cabeça com um sorriso apaziguador e umedeceu os lábios, calculando mentalmente as palavras mais brandas para iniciar a conversa sobre o divórcio.

Para sua surpresa, Arthur foi o primeiro a tocar no assunto.

— Mamãe, o que está acontecendo entre você e o papai? A tia Weleska me disse que vocês vão se divorciar e que ela vai casar com ele. Você sabia disso?

Eduarda confirmou com um aceno afirmativo e pesaroso.

O iminente matrimônio do herdeiro máximo do Grupo Machado já havia incendiado a mídia, tornando-se o combustível principal das rodinhas de fofoca da elite inteira e não deixando espaço para a ignorância.

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