— Vá atiçar ainda mais a opinião pública e contrate gente para intensificar a pressão no mercado; eu quero que o caos atinja o nível máximo antes que Cícero tenha a chance de se pronunciar.
— Sim, senhor.
O assistente se retirou imediatamente para cumprir as ordens.
Roberto ficou em pé diante da grande janela do arranha-céu, contemplando a paisagem com a sensação embriagante de que todo o império comercial do Grupo Machado estava prestes a cair nas suas mãos.
No luxuoso escritório da cobertura do Grupo Machado, a atmosfera era tensa.
Cícero e Adilson estavam sentados rigidamente em extremos opostos de um sofá de couro.
— Qual é o seu plano agora? — Perguntou Adilson sem rodeios.
Cícero baixou o olhar de forma calculista e respondeu:
— Já que o tio Roberto quer tanto que eu renuncie, eu estou disposto a ceder o meu cargo, mas deixo claro que isso será apenas uma medida temporária.
Ele jamais permitiria que Roberto pisasse na sua cabeça, pois isso seria repetir a mesma tragédia que arruinara os seus pais muitos anos atrás.
Adilson falou em um tom de autoridade inquestionável:
— Cícero, já que a situação chegou a este ponto crítico, você não tem mais o luxo de hesitar; você pode simplesmente enterrar o seu passado com Eduarda e começar uma vida nova com a Sra. Castilho, e se fizer um anúncio público sobre isso, ninguém verá a situação como um grande escândalo, pois um segundo casamento não é nenhuma mancha para famílias como a nossa.
Adilson estava encurralando o neto para forçá-lo a tomar uma atitude drástica sem mais delongas.
Cícero engoliu as palavras por um longo instante antes de finalmente concordar com um aceno lento.
Talvez aquela fosse realmente a única saída viável para salvar a todos.
Adilson ditou os próximos passos:
— Leve a Sra. Castilho para a coletiva de imprensa amanhã e anuncie o noivado de vocês para o mundo; eu mesmo providenciarei contatos para abafar o restante dos boatos desagradáveis.
Antes de se levantar para sair, Adilson disparou o seu último aviso:
— Não me decepcione novamente, Cícero.
Adilson abandonou o escritório, deixando a porta se fechar com um clique suave às suas costas.
Após refletir sobre o caos iminente, Cícero concluiu que precisava voltar para a sua mansão.
O condomínio Parque Tropical parecia tranquilo como sempre.
Assim que Cícero atravessou a porta principal, os seus olhos encontraram Arthur concentrado em um quebra-cabeça no sofá, completamente alheio à tempestade que se formava lá fora.
O menino estava tão absorto que nem sequer notou quando Cícero se aproximou.
Arthur só piscou os seus grandes olhos brilhantes e percebeu a chegada de Cícero depois que o administrador da casa o avisou gentilmente.
Em um salto alegre, Arthur desceu do sofá e se agarrou às pernas de Cícero, exigindo carinho.
— Papai, faz tanto tempo que eu não te vejo; você está trabalhando demais ultimamente?
Em um gesto muito raro de afeto, Cícero se agachou até ficar na altura dos olhos de Arthur.
— Eu tive muitas obrigações para resolver e por isso não pude vir para casa; você tem sido um bom menino enquanto eu estive fora?
Arthur concordou veementemente com a sua cabecinha infantil:
— Eu me comportei super bem, obedeci a tia Weleska o tempo todo e fiquei aqui em casa esperando o senhor voltar, só que...
Arthur esfregou as mãozinhas de forma nervosa antes de confessar:
Cícero começou a subir as escadas imediatamente, e Weleska o seguiu de perto com um misto de expectativa e apreensão.
Dentro do escritório, Cícero fez um gesto indicando que Weleska deveria se acomodar primeiro.
— Como você tem se sentido fisicamente; o bebê tem te causado muitos desconfortos?
O olhar de Cícero repousou suavemente sobre o baixo-ventre de Weleska.
Weleska sentiu um leve constrangimento durante dois segundos, mas logo acariciou a barriga e respondeu com doçura:
— Um pouco, pois ele é bastante agitado e acaba não me deixando dormir direito à noite.
Cícero respondeu apenas com um discreto aceno de aprovação.
Aproveitando a oportunidade, Weleska abordou o assunto principal com uma voz dramática:
— Cícero, eu assisti aos noticiários de hoje e fiquei preocupada se o nosso relacionamento estava prejudicando a sua imagem; se for o caso, eu estou disposta a ir embora, pois só quero que você fique bem, não importa o que aconteça comigo ou com o nosso filho.
A expressão de Weleska simulava uma tristeza profunda, forçando lágrimas que despertariam a piedade de qualquer homem.
Cícero tentou tranquilizá-la com palavras reconfortantes:
— Weleska, nada disso é culpa sua, então pare de se martirizar.
Se houvesse um culpado em toda aquela história, esse alguém seria ele mesmo, que errara repetidamente ao longo dos anos.
Fora ele quem destruíra todas as oportunidades de felicidade que surgiram em seu caminho.
Weleska secou as falsas lágrimas de maneira teatral e prosseguiu com a sua investida:
— Sendo assim, o que você decidiu sobre o nosso casamento que mencionei da última vez; eu quero muito me tornar a sua esposa, pois eu te amo incondicionalmente, Cícero.

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