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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 341

Roberto virou o rosto rapidamente em direção à porta e viu Adilson entrando na sala de reuniões com a ajuda de um funcionário.

Ao notarem a presença imponente de Adilson, todos engoliram as palavras imediatamente e se levantaram em uma demonstração de profundo respeito.

— Sr. Adilson.

Ainda tentando recuperar o fôlego, Adilson foi amparado pelo seu assistente até a ponta principal da longa mesa, de onde passou a encarar todos os presentes.

O que tinha que acontecer não poderia ser evitado, pois era apenas uma questão de tempo.

Adilson questionou com uma voz rouca e firme:

— Qual é o significado disso tudo; vocês estão planejando um motim coletivo hoje ou simplesmente decidiram que este velho aqui não merece mais respeito?

— Embora eu já não frequente a empresa todos os dias, isso não quer dizer que eu esteja cego para o que acontece aqui dentro.

Adilson estreitou os olhos de forma ameaçadora e lançou um olhar cortante na direção de Roberto.

Roberto deu um sorriso amarelo e dissimulado, preferindo não proferir nenhuma palavra em sua defesa.

Adilson sentia a raiva queimar no peito, pois sabia perfeitamente que aquela crise generalizada havia sido orquestrada de propósito por alguém ali dentro.

E não era nem um pouco difícil adivinhar a identidade do verdadeiro culpado.

Com Adilson presidindo a reunião, a maioria mergulhou em um silêncio temeroso, mas ainda havia quem fosse ousado o suficiente para arriscar a própria pele.

— Presidente, o senhor não pode culpar a todos nós por essa situação, pois já deve ter visto os comentários da mídia sobre o Grupo Machado e acompanhado o despencar assustador das nossas ações; se as coisas continuarem assim, todos nós seremos prejudicados, e o senhor não deveria ignorar os fatos apenas para proteger um membro da sua família, já que nós também temos o direito de votar em quem é mais capacitado para liderar esta empresa!

Adilson respondeu com uma calma assustadora:

— O único motivo da minha presença aqui hoje é exatamente para resolver esse problema, pois você acha mesmo que um homem da minha idade viria até aqui à toa; sentem-se todos e falem o que têm a dizer.

Adilson sentiu uma pontada de dor de cabeça se aproximar; a sua saúde já estava debilitada recentemente, os negócios da empresa estavam um verdadeiro caos e as atitudes de Cícero só lhe traziam ainda mais preocupações.

Ele não conseguia entender que tipo de carma estava pagando na velhice para ter que intervir pessoalmente e consertar cada um daqueles desastres.

— Digam-me logo, que tipo de resposta vocês vieram exigir aqui hoje? — Perguntou Adilson com firmeza.

Um brilho sorrateiro atravessou o olhar de Roberto enquanto ele fazia um aceno sutil para um dos executivos sentados à sua frente.

O executivo captou o sinal rapidamente e se pronunciou:

— Presidente, nós acreditamos que o presidente-executivo ainda não resolveu os seus próprios escândalos pessoais e, consequentemente, não possui clareza mental para gerir o grupo; diante disso, sugerimos que ele tire uma licença para descansar e só retorne ao comando quando a sua vida particular estiver devidamente resolvida.

No fim das contas, tudo não passava de um golpe corporativo velado, e Adilson lia as intenções daquele grupo com muita clareza.

— E quem vocês acham que seria a pessoa mais adequada para assumir o controle no lugar dele? — Indagou Adilson em tom de desafio.

Ninguém ousou dizer uma palavra, evitando apontar o dedo diretamente para Roberto, mas qualquer tolo ali dentro sabia que ele era o único candidato viável para assumir tamanho poder.

Mesmo com aquele silêncio ensurdecedor, Adilson compreendia perfeitamente qual era a jogada armada.

Adilson voltou a sua atenção para Roberto e questionou:

Ele caminhou lentamente, cumprimentou Adilson com um gesto respeitoso e se acomodou exatamente de frente para Roberto.

Sem perder tempo com rodeios e sem esperar que alguém o interrogasse, ele tomou a palavra de imediato.

A voz de Cícero soou fria e decidida:

— Já que toda esta crise foi causada por mim, é mais do que natural que eu assuma a responsabilidade; para enfrentar essa pressão pública, eu já organizei uma coletiva de imprensa, e amanhã darei a todos uma explicação definitiva.

Em seguida, Cícero voltou os olhos diretamente para Adilson:

— Presidente, eu preciso ter uma conversa particular com o senhor.

Adilson assentiu com a cabeça, e os dois homens se levantaram para deixar a sala de reuniões juntos.

O ambiente voltou a ser ocupado apenas pelo restante dos acionistas e por Roberto.

Um dos executivos leais a Roberto indagou em um sussurro intrigado:

— O que está acontecendo aqui, Vice-Presidente; qual foi a intenção do presidente e do CEO com essa saída repentina?

Os olhos de Roberto escondiam segredos insondáveis enquanto ele respondia:

— Vamos esperar para ver o que eles dirão amanhã, pois por hoje a nossa reunião está encerrada.

Assim que a sala ficou completamente vazia, Roberto fez um sinal para que o seu próprio assistente se aproximasse.

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