Gildo roubava a atenção que pertencia a ele, e Arthur não gostava dele.
— Tia Weleska, eu também quero comer aquilo.
Disse Arthur, abrindo a boca pequena para que Weleska o alimentasse.
Weleska deu uma colherada para Arthur, com um sorriso doce e enjoativo.
Arthur ficou um pouco mais feliz e então lembrou-se de algo:
— Tia Weleska, por que o papai ainda não voltou? Ele não disse que ia viajar a trabalho para o exterior? Ainda não voltou?
Weleska balançou a cabeça:
— Seu pai ainda não deve ter voltado, ele também não entrou em contato comigo.
Ela não conversava direito com Cícero há muitos dias.
Sempre que Weleska ligava para Cícero, ele dizia que estava ocupado.
— Estranho. — Arthur levantou o rostinho. — O papai não sempre fala com a tia Weleska? Como a tia Weleska não sabe onde o papai está?
Pensando bem, Weleska também achava estranho.
Até Arthur havia percebido, então estava muito óbvio.
Por que ela sentia que Cícero estava mais frio com ela ultimamente?
Antigamente, Cícero sempre mantinha um contato íntimo com Weleska, mas agora, parecia que o trabalho havia aumentado. Ele estava sempre no grupo resolvendo problemas e passava muito menos tempo na mansão.
Weleska tinha suas dúvidas sobre o que Cícero estava fazendo.
Será que havia algum grande projeto para resolver?
Ela comia enquanto pensava.
Arthur percebeu e perguntou:
— Tia Weleska, no que você está pensando? Está pensando no papai?
Weleska assentiu.
Arthur fez um bico:
— O papai quase não vem para casa, estou com saudades dele. E da mamãe também, faz muito tempo que não vejo a mamãe, humph.
Dito isso, Arthur continuou cutucando a comida no prato.
No entanto, a frase dele despertou Weleska.
Era verdade.
Ultimamente, Eduarda e Cícero pareciam não voltar para a mansão na mesma época.
Ela não podia garantir se Eduarda e Cícero estavam juntos, ou se estavam fazendo algo pelas costas dela.
Será que os dois ainda mantinham contato? Será que Cícero foi morar com Eduarda?
Weleska teve um pressentimento ruim. Se fosse verdade, ela precisava agir rápido.
Eduarda não podia voltar a ter espaço ali. De jeito nenhum.
— Boa noite.
Weleska desligou o telefone, sentindo subconscientemente que Cícero não estava apenas ocupado com o trabalho. Devia haver algo mais.
Cícero não queria dar respostas diretas, sempre parecia estar escondendo algo.
E ela não podia pressioná-lo diretamente.
Ouviu-se um barulho na escada. Weleska saiu do quarto e viu Damiano subindo.
Damiano viu Weleska e a cumprimentou:
— Sra. Castilho.
— Você voltou sozinho? Onde está o Sr. Machado? — Perguntou Weleska.
Damiano respondeu:
— O Sr. Machado teve um jantar de negócios hoje à noite e ficou descansando no hotel.
— Ele foi dormir num hotel? — Weleska ficou surpresa. Cícero não acabara de dizer que estava na empresa? Como agora, para o assistente, ele estava no hotel?
Damiano respondeu honestamente:
— Sim, o Sr. Machado bebeu um pouco demais e foi descansar direto no hotel.
— Provavelmente para não incomodar a Sra. Castilho. — Acrescentou Damiano após pensar um pouco, para evitar falar algo errado.
Weleska assentiu, e a desconfiança em seu coração aumentou ainda mais.

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