Eduarda e Rafael foram embora.
Eduarda não se despediu de Cícero.
Depois disso, eles não voltaram para a mesa; ninguém tinha mais ânimo para continuar comendo.
A interrupção de Cícero havia arruinado o clima.
Quando Cícero saiu da área do banheiro, a mesa perto da janela já estava vazia.
O olhar de Cícero escureceu, tornando-se muito mais sombrio ao encarar os lugares vazios.
Ele cerrou os punhos.
O responsável, vendo Cícero se aproximar com o rosto fechado, ficou apavorado, quase chorando de medo.
Ele se aproximou com cautela e perguntou:
— Sr. Machado, o que houve? O senhor precisa que eu troque algum prato?
Cícero, com o rosto sombrio, balançou a cabeça:
— Não precisa. Vamos voltar para o hotel.
O responsável disse apressadamente:
— Sim, sim, claro. Vou providenciar imediatamente.
O responsável rapidamente contatou o pessoal do hotel para levar aquela figura imponente embora.
De volta ao hotel, Cícero sentia uma dor de cabeça terrível.
O responsável foi rápido e enviou a lista que ele havia pedido.
Cícero sentou-se à escrivaninha, encarando a lista eletrônica na tela do computador.
Seus olhos percorreram os nomes, um a um.
De fato, o nome de Eduarda estava lá, e a empresa listada ao lado era a Aurora Tech.
Ela tinha vindo a trabalho.
Ela tinha vindo pela empresa de Rafael.
E Rafael? Cícero sabia que um evento pequeno como aquele não exigia a presença de Rafael.
Com o status de Rafael, nem dez eventos como aquele seriam suficientes para fazê-lo aparecer.
No entanto, Rafael tinha vindo.
Isso era óbvio.
Rafael tinha vindo, de fato, para acompanhar Eduarda.
Rafael foi capaz de chegar a esse ponto por Eduarda.
Cícero sentiu um gosto amargo no coração.
Quando foi que os dois ficaram juntos sem que ele soubesse de nada?
Será que no último encontro deles, Eduarda e Rafael já tinham esse tipo de relação?
Naquela vez, Rafael protegeu Eduarda instintivamente.
Ou será que era algo ainda mais antigo?
Foi por isso que Eduarda decidiu tão resolutamente divorciar-se dele, não foi?
Cícero pressionou as têmporas com os dedos, recostando-se na poltrona individual e fechando os olhos com pesar.
Eduarda ficou atônita ao ouvir isso e, por um momento, não conseguiu falar.
Rafael apoiou as mãos no banco atrás de si, erguendo o pescoço para olhar os pontos de luz esparsos no céu noturno.
Como se visse memórias distantes.
Rafael acrescentou:
— Parece que estou muito interessado em você, Eduarda. Você poderia tentar me considerar.
A mão de Eduarda, segurando a garrafa de leite, tremeu levemente. Pouco depois, ela esfregou a garrafa morna duas vezes para aquecer as mãos.
— Sr. Duarte, acho que não combinamos. É melhor mantermos apenas uma relação de colegas de trabalho.
A expressão de Eduarda ao falar era muito suave e leve, distante e tranquila.
— Por quê? Eu não sou páreo para o Cícero? — Rafael perguntou casualmente.
Eduarda balançou a cabeça.
— De qualquer forma, o Sr. Duarte é muito melhor do que um homem que tem casos extraconjugais.
Embora Rafael frequentasse muitos romances, ele nunca enganava os sentimentos de ninguém; era uma troca justa, o que, para ela, era aceitável.
Eduarda disse:
— Mas eu e o Sr. Duarte temos conceitos diferentes sobre sentimentos. Não somos do mesmo caminho, não daria certo ficarmos juntos.
Depois de passar por tantas coisas, Eduarda finalmente compreendeu uma verdade.
Somente se o caminho à frente for o mesmo e os objetivos forem coincidentes é que duas pessoas podem ir longe e durar muito tempo.
Rafael, que vagava de flor em flor sem nunca se entregar, e ela, que quando escolhia alguém se dedicava totalmente, eram opostos por natureza.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes