E por que Eduarda insistia tanto em deixá-lo?
Sua voz soou rouca e baixa:
— Eu ainda não concordei com o divórcio. Por que eu assinaria?
Eduarda virou-se bruscamente, olhando para ele, incrédula por um momento.
Ele não concordava com o divórcio.
O que Cícero queria dizer com isso?
Chegaram a esse ponto e agora ele dizia que não concordava com o divórcio.
O que Cícero queria afinal?
Ao ver a expressão de espanto no rosto dela, Cícero sentiu um certo alívio no coração.
Se alguém o fez sofrer, ele deveria fazer essa pessoa sofrer também.
Além disso, Eduarda não estava totalmente isenta de emoções em relação a ele.
Eduarda não conseguia entender o comportamento dele. Ela disse:
— E então? O que você quer dizer? Você não concorda com o divórcio, e o que pretende fazer? Manter esse nosso casamento de fachada, acha isso interessante?
Cícero endireitou o corpo silenciosamente e sorriu.
— Você quer entrar e sair da minha vida quando bem entende. O que você acha que eu sou?
Eduarda achou aquilo completamente irracional.
Cícero continuou:
— O vovô concordou, mas eu nunca concordei. Então não pense que pode ir e vir quando quiser.
Depois de dizer isso, Cícero continuou observando a expressão de Eduarda, tentando descobrir algo.
No entanto, Eduarda apenas soltou um riso baixo de escárnio e não disse nada.
Sua raiva já havia se dissipado; ela não tinha mais energia para se irritar.
Ao levantar os olhos novamente, Eduarda viu Rafael parado no corredor fora do banheiro.
— Cícero? O que você faz aqui? — Perguntou Rafael, confuso.
Eduarda não tinha mais ânimo para continuar aquela discussão ali. O divórcio poderia ser resolvido quando voltassem ao país.
Ela caminhou até o corredor e olhou para Rafael:
— Vamos, Sr. Duarte. Não fique aqui.
Rafael assentiu e estava prestes a se virar para ir embora com Eduarda.
Mas Cícero foi mais rápido e se aproximou.
— Algum problema? — Rafael encarou Cícero, percebendo uma certa hostilidade nos olhos do outro.
Rafael sabia muito bem o que aquilo significava.
Cícero perguntou sem rodeios:
Eduarda não respondeu; ela não queria dar atenção a Cícero agora.
Rafael olhou para Eduarda e, em seguida, passou o braço pelos ombros dela, puxando-a para o seu abraço.
— Estamos juntos. Nós dois.
Rafael e Eduarda comportavam-se com intimidade, e, para Cícero, parecia que a relação entre eles era realmente próxima.
Mas apenas Eduarda sabia que Rafael estava controlando deliberadamente a distância, sem realmente encostar demais nela.
O olhar de Cícero mudou instantaneamente, tornando-se absolutamente gélido.
Eduarda também percebeu que Rafael estava tentando ajudá-la.
Então, Eduarda disse propositalmente:
— É verdade, Sr. Machado. Seria ótimo se nos divorciássemos logo e libertássemos um ao outro.
Eduarda fez uma pausa e continuou:
— Se o Sr. Machado continuar demorando a assinar, terei que pedir ao advogado para redigir outros documentos.
— Nesse caso, não nos encontraremos no cartório. Vai ser na Justiça.
A intenção de Eduarda era muito clara.
Se Cícero não assinasse voluntariamente, ela entraria com um processo de divórcio litigioso.
De qualquer forma, ela estava determinada a se divorciar dele.

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