As bochechas de Eduarda aqueceram levemente, e ela duvidou um pouco das palavras de Rafael.
No entanto, a expressão de Rafael era totalmente franca, e a banda continuava esperando ao lado. Eduarda assentiu com a cabeça.
Rafael levantou-se e estendeu a mão com a palma para cima diante de Eduarda, convidando-a.
Eduarda hesitou por dois segundos, mas acabou colocando sua mão sobre a de Rafael.
Os dois se levantaram e começaram a se mover suavemente ao som da música e dos instrumentos da banda.
Inicialmente, Eduarda estava preocupada que movimentos bruscos pudessem afetar seu corpo, mas logo percebeu que era uma preocupação desnecessária.
A dança local era muito suave, com um ritmo lento e cadenciado, exigindo movimentos quase imperceptíveis.
Depois de ficar sentada por tanto tempo, mover-se daquela maneira ocasional era bastante confortável.
Aos poucos, os clientes ao redor começaram a lançar olhares e aplausos. Eduarda, sem entender, perguntou a Rafael o que aquilo significava.
Rafael disse:
— Eles disseram que você é linda, que eu sou bonito, e nos desejaram uma união eterna e feliz.
Eduarda sorriu ao ouvi-lo terminar.
Ela provocou:
— Sr. Duarte, agora estou duvidando muito se a sua tradução é verdadeira ou falsa.
— Estrangeiros também usam provérbios assim? — Eduarda brincou, sorrindo.
Rafael abriu um sorriso, uma expressão totalmente franca e atraente.
— Tudo bem, eu menti para você. Mas não foi a primeira vez.
Rafael abraçou a cintura de Eduarda acompanhando a música e aproximou-se ligeiramente de seu ouvido, dizendo:
— Eu menti para você desde a primeira frase que eles disseram quando se aproximaram.
Rafael sussurrou no ouvido dela:
— Na verdade, eu queria te convidar para dançar. Isso não tem nada a ver com eles.
Ao ouvir isso, as orelhas de Eduarda ficaram vermelhas, e ela se afastou um pouco de Rafael.
— Sr. Duarte, isso é... o senhor está bêbado, não está?
Rafael havia bebido um pouco e estava levemente embriagado. O hálito quente do álcool roçava na orelha de Eduarda enquanto ele falava, com um tom de voz profundo, cativante e ambíguo.
Rafael disse:
— Eduarda, eu acho você interessante. Considere ficar comigo, hum?
Diante dessa declaração direta, Eduarda entendeu perfeitamente o que Rafael queria dizer.
Então, aproveitando um giro na dança, ela se afastou completamente de Rafael.
Em seguida, Cícero pousou o copo abruptamente, levantou-se e também caminhou na direção do banheiro.
Ao ver a aura um tanto sombria de Cícero, o responsável pelo local ficou assustado.
— Sr. Machado, aonde o senhor vai?
Antes que o responsável terminasse de falar, a figura de Cícero já havia desaparecido.
Na área externa dos lavatórios, Eduarda jogou um pouco de água limpa no rosto. A água fresca a fez recuperar um pouco da razão.
As palavras de Rafael foram diretas demais, pegando-a desprevenida, e por isso ela usou o banheiro como desculpa.
Eduarda pensou que talvez Rafael estivesse apenas bêbado.
De qualquer forma, aquelas deveriam ser palavras ditas sob o efeito do álcool.
Quando voltasse, ela agiria como se nada tivesse acontecido; seria muito melhor assim.
Enquanto pensava nisso, ao levantar a cabeça, Eduarda viu uma pessoa no enorme espelho límpido à sua frente, bem como seu olhar profundo.
Cícero observava os olhos de Eduarda através do espelho, com o branco dos seus olhos coberto por uma densa teia de vasos sanguíneos vermelhos.
Ele falou com voz fria, mas havia um tom de mágoa quase imperceptível em sua voz.
Cícero disse:
— Eduarda, você se esqueceu de mim?

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