— Na época, pensei que, como você era esposa de Cícero e mulher do atual quem está no comando, atingir você causaria um impacto na família Machado. — Franklin baixou a cabeça, a voz embargada ao dizer aquilo.
— Mas eu não imaginava que a sua vida na família Machado não tinha nada a ver com a imagem de uma madame mimada que eu idealizava.
Franklin ergueu a cabeça e olhou para Eduarda com compaixão:
— Eu vi com meus próprios olhos você lutando sem esperança dentro daquele casamento, e depois lutando desesperadamente para se salvar. Do início ao fim, você estava sozinha.
— Quando vi o que sua mãe e seu irmão fizeram com você, e percebi que você não tinha apoio nenhum, lutando uma guerra solitária, minha determinação vacilou.
Era a primeira vez que Franklin organizava e expressava seus sentimentos por Eduarda.
Ele sentia pena dela.
Eduarda ouviu e deu um sorriso amargo.
Ela disse calmamente:
— Tudo bem, isso vai passar. Não quero pensar nisso agora.
Franklin assentiu e perguntou:
— Eduarda, eu quase direcionei meu ódio a você. Depois, pensei inúmeras vezes em como fui extremamente vil com você.
Após ouvir tudo em silêncio, Eduarda balançou a cabeça com seriedade.
— Se eu estivesse no seu lugar, talvez tivesse feito a mesma escolha. — Disse Eduarda.
Todas as ações de Franklin tinham uma explicação lógica. Antes, ele não conhecia a situação dela, então era compreensível que tivesse hostilidade contra a "Sra. Machado".
Se fosse ela a viver aquilo, talvez não tivesse tido a mesma paciência que Franklin.
Franklin sorriu com amargura:
— Obrigado, Eduarda. Espero que acredite que não era pessoal. Eu nunca quis te fazer mal. Na verdade, eu talvez já...
Eduarda parecia saber o que ele ia dizer e o interrompeu.
— Eu entendi. — Eduarda pensou um pouco. — Na verdade, não posso culpar você por tudo. Quem fez aquelas coisas para me prejudicar foram Weleska e Cícero. Mesmo sem você, Weleska teria encontrado outra oportunidade e usado outros meios contra mim. O resultado poderia ter sido ainda pior.
Ao ouvir isso, Franklin forçou um sorriso.
Ele perguntou com cautela:
— Então, ainda somos amigos, Eduarda?
Eduarda não respondeu de imediato; apenas suspirou.
Ele a encarou e perguntou com cuidado:
— Eduarda, posso te dar um abraço? Só se você quiser, como amigo.
Eduarda hesitou, os cílios tremendo levemente, e então assentiu mais uma vez.
Franklin abriu os braços suavemente, envolveu os ombros de Eduarda e a apertou com todo o cuidado, com cuidado demais, como se qualquer gesto pudesse afastá‑la.
Seu gesto era tão delicado quanto o de alguém que segura um tesouro recuperado.
Eduarda não se moveu, nem retribuiu o abraço.
O tempo passou devagar. Ela pareceu ouvir o som de um choro contido e sentiu o corpo de Franklin tremer.
Ele devia estar muito triste, pensou Eduarda. Ela estendeu a mão e deu tapinhas leves nas costas dele.
Ela disse:
— Não pense mais nisso. Deixe o passado no passado. Precisamos aprender a nos perdoar, não é?
O corpo de Franklin travou. Ele apertou o abraço e soltou um som rouco e contido.
— Está bem, eu vou te ouvir.

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