Ao ouvir a pergunta de Adilson, Cícero levantou as pálpebras, reprimiu as emoções estranhas que surgiam em seu coração e não disse muito.
Ele apenas disse:
— Ela acabou de me entregar o acordo. Ainda não pedi para um advogado analisar.
Por isso ele não assinou.
Cícero falou com indiferença e continuou encarando o nome de Eduarda no documento.
A cena de Eduarda assinando o nome surgiu novamente diante de seus olhos.
As pessoas não gostam de aceitar mudanças repentinas, e nem mesmo Cícero escapava da natureza humana.
Ele ainda não conseguia se adaptar ou aceitar a mudança de atitude de Eduarda.
Adilson olhou para ele e apenas sorriu, um sorriso enigmático.
— Você tem medo do que a Eduarda escreveu no acordo? Acha que ela vai te prejudicar com o divórcio?
Adilson perguntou de forma muito direta, com os olhos semicerrados.
Cícero sorriu, um sorriso muito sutil.
— Não é isso. Afinal, é uma questão legal, claro que preciso de um advogado profissional.
Adilson olhou para ele por um bom tempo antes de dizer:
— Então procure um advogado o mais rápido possível para dar uma olhada. Não deixe a Eduarda esperando por muito tempo. Depois de assinar o acordo, ainda tem que ir ao Cartório para dar andamento ao processo. Não demore muito.
Adilson deu uma última olhada nele e disse:
— Bem, estou cansado. Vamos encerrar a conversa por hoje. Pode ir.
Adilson olhou para o velho administrador da casa, indicando que acompanhasse Cícero até a saída.
Cícero levantou-se, pegou a pasta e acenou com a cabeça para Adilson:
— Descanse bem, vovô.
Cícero virou-se e saiu.
Adilson olhou pela janela do escritório e viu Cícero caminhar até a porta, entrar no carro e partir.
O velho administrador voltou ao escritório depois de acompanhar Cícero e viu que Adilson parecia estar pensando em algo.
— Patrão, o senhor está pensando no assunto do Sr. Cícero e da Sra. Eduarda? Parece que desta vez a Sra. Eduarda está falando sério.
Adilson riu levemente, trocou um olhar com o velho administrador e balançou a cabeça.
— A Eduarda está falando sério, mas com o Cícero a história parece ser outra. Ele começou a hesitar.
Adilson recostou-se na cadeira e fechou os olhos.
— Também não quero interferir mais. Ter chegado até aqui e preservado a reputação da família Machado já é o suficiente. O resto, deixo com eles, contanto que não façam nada escandaloso.
O velho administrador assentiu:
— O senhor tem razão. Vou mandar alguém ficar de olho.
Adilson assentiu e voltou a cochilar na cadeira de balanço.
O velho administrador pegou uma manta fina, cobriu Adilson e saiu do escritório.
Parque Tropical.
Cícero voltou para a mansão. Arthur, ouvindo o barulho, desceu correndo as escadas.
Enquanto corria, Arthur dizia alegremente:
— Papai voltou!
Arthur balançou o celular na mão e disse com entusiasmo:
— Papai, eu estava prestes a ligar para a mamãe. Você quer participar comigo? Quer falar alguma coisa para a mamãe?

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