Ele e Eduarda...
Entre eles, deveria haver um fim.
Mas por que, no fundo de seu coração, ele estava resistindo?
Adilson parou de olhar para ele e continuou:
— Quando Eduarda veio me procurar, eu também, pensando na reputação da família Machado, não concordei com o pedido de divórcio dela. Apenas dei a ela uma escolha que ela mesma poderia tomar.
Cícero estreitou os olhos e perguntou:
— Que escolha?
— Você também deve saber. — Adilson riu levemente. — A reputação da família Machado é algo muito importante para mim e para você. Quanto à Eduarda querer deixar a família Machado, claro que isso seria sob a premissa de não trazer impactos negativos para a família.
— Então, quando ela me procurou pela primeira vez, eu não concordei que ela se divorciasse e simplesmente se afastasse da família Machado assim, de uma hora pra outra.
— Uma dona de casa pedindo divórcio... se isso se espalhasse, os outros ririam da família Machado e também ririam da Eduarda por não ter capacidade.
— Por isso, Eduarda fez muitas coisas depois. Ouvi dizer que ela começou a trabalhar recentemente na empresa do Rafael, e o futuro dela deve ser promissor.
— Então, eu concordei com o pedido da Eduarda. Não vou mais impedi-la.
Adilson contou praticamente toda a história de uma só vez.
Depois de ouvir, Cícero não soube como reagir por um momento.
Ele não esperava que Eduarda tivesse procurado o avô silenciosamente dois meses atrás, pedido o divórcio e até chegado a algum tipo de acordo com ele.
Tudo aconteceu sem que ele soubesse.
Dois meses atrás... Cícero recordou, deve ter sido na época do aniversário de casamento.
Então, desde aquela época, Eduarda já havia começado a traçar um limite com ele.
E ele não sabia de nada, ainda dizia ingenuamente a Eduarda que o avô jamais concordaria com o divórcio.
No entanto, Eduarda, mesmo sabendo que já tinha se acertado com o avô, não lhe disse uma palavra.
Durante todo esse tempo, aos olhos de Eduarda, ele era a piada.
Cícero só percebeu abruptamente agora que parecia nunca ter levado a sério o divórcio mencionado por Eduarda.
Ele sempre achou, no fundo, que Eduarda estava apenas fazendo birra para chamar sua atenção, nada mais.
Ele pensava que, mesmo que não desse atenção a Eduarda, ela jamais sairia do seu lado.
A obsessão de Eduarda por ele, desde a adolescência até se tornar esposa e mãe, sempre foi um amor ardente.
— Sim. — Adilson assentiu, virando o acordo de divórcio até a última página.
Como esperado, ele viu a assinatura de Eduarda, que ainda parecia carregar seu calor.
A assinatura parecia muito fluida, feita sem hesitação.
Adilson suspirou e olhou para o lado do nome de Cícero, que ainda estava em branco.
— Por que não assinou? Não decidiu? Ou tem outra ideia? — Adilson tirou os óculos e perguntou com sua voz firme.
Ao mesmo tempo, Adilson observava a expressão de Cícero, tentando entender suas intenções.
A emoção que ele trazia hoje era claramente diferente do habitual.
Uma insegurança inédita apareceu em Cícero.
Ele parecia um animal ferido: inquieto, agitado, sem paz.
Todas essas mudanças vinham de Eduarda e deste acordo de divórcio.
Adilson estreitou os olhos, ponderando.
Será que, quando se tratava de Eduarda, o coração de Cícero também começava a ser afetado?

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