— Viemos atrás da sua mãe, a Serena Mascarenhas Silveira. E você já deve imaginar o motivo.
— Ah, vieram atrás dela? Podem ir. Quando terminarem, venham falar comigo. — Benjamim Silveira deu de ombros, parecendo não se importar nem um pouco.
— Você não tem medo do que eu possa fazer com ela? — provocou Helena.
Benjamim Silveira soltou uma risada seca.
— Acha que eu ainda me importo? Sendo bem sincero, tirando a Celeste, não acho que exista uma única pessoa boa na família Silveira. E eu sou tão frio quanto os outros. Eu tenho nojo dela. Se não fosse por ela, meu irmão mais velho não estaria morto e eu não teria sido arruinado no passado. Ela pode até ter acordado para a vida agora, mas já é tarde demais!
O que quer que houvesse entre ele e Serena Mascarenhas Silveira não importava, desde que Benjamim não se metesse no caminho deles.
Isso facilitava muito as coisas.
Helena e Daniel seguiram para os aposentos de Serena Mascarenhas Silveira.
Ela estava deitada na cama. Parecia estar doente de novo.
Embora estivesse apenas na faixa dos cinquenta anos, seu corpo parecia o de uma mulher de mais de oitenta. O veneno que Xavier havia lhe dado na juventude havia destruído sua saúde por dentro.
— Cof... Cof, cof!
— Senhora, hora do remédio. — Chloe se aproximou com a bandeja.
Serena Mascarenhas Silveira se sentou devagar, com a mão no peito e o rosto cadavérico.
— Chloe, deixe o remédio aí. Quero descansar um pouco.
Foi nesse momento que Helena e Daniel entraram no quarto.
— Vocês chegaram? Eu sabia que viriam me procurar. — murmurou Serena Mascarenhas Silveira, com a voz mansa e frágil.
Quem a visse daquele jeito juraria se tratar de uma doce e inofensiva senhora de idade.
— Você não acha que deveria estar de joelhos na frente do túmulo do Marcos implorando por perdão? — disparou Helena.
Lembrar da crueldade de Serena naquele dia, o que custou a vida de Marcos, fazia o sangue de Helena ferver de ódio.
Serena Mascarenhas Silveira apenas sorriu, pacífica.
— Sem pressa, sem pressa. Sentem-se primeiro.

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