Daniel riu friamente por dentro. Acreditar nele? Era mais fácil acreditar em um fantasma.
No passado, ele fora enganado justamente por aquela expressão de inocência de Aquiles Silveira.
Hoje em dia, ele não acreditaria em uma única palavra que saísse da boca do irmão.
— Sendo assim, desejo-lhe... um futuro brilhante. — Daniel estendeu a mão.
Aquiles Silveira hesitou por um segundo, e então a apertou.
— Muito obrigado, irmão.
— Daqui para a frente, cada um cuida da própria vida.
Após dizer isso, Daniel saiu do escritório.
Naquele momento, seu coração estava pesado de tristeza.
Aquele irmão mais novo, ingênuo e que ele sempre protegeu enquanto cresciam, já não existia mais.
Ao voltar à recepção, Daniel viu Iolanda Peregrino, que estava prestes a sair.
— Espere um instante. Tenho uma pergunta para você.
— Diga logo.
— Você sempre foi leal ao Pascoal. Desde quando isso começou?
Iolanda Peregrino soltou um riso gélido.
— Já que quer tanto saber, não custa nada dizer. Desde o meu primeiro dia na família Silveira, a única pessoa que eu amei foi o Pascoal. Eu nunca gostei de você.
Naquela época, quando a mãe dela cometeu suicídio pulando de um prédio, foi Adriana Silveira quem a adotou e a levou para a família Silveira.
A primeira pessoa com quem ela teve contato foi Aquiles Silveira.
Ele ainda era pequeno, de uma idade parecida com a dela.
Era Aquiles Silveira quem ficava ao seu lado todos os dias, confortando-a.
Mais tarde, Adriana ordenou que ela ficasse perto de Daniel, que se aproximasse dele, pois no futuro ela se tornaria a senhora da família Silveira.
Mas ela não dava a mínima para isso. A pessoa que ela amava era Aquiles Silveira!
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