Os irmãos invadiram o escritório.
O lugar estava impecavelmente limpo. Sendo sinceros, em todos aqueles anos de vida, era a primeira vez que conseguiam entrar ali.
Quando era pequeno, Benedito invadiu o escritório uma vez. Foi pego pela matriarca e levou uma surra tão grande que ficou sem sentar direito por dias.
Desde então, a regra de ouro da família era: sem a ordem da velha, ninguém entrava no escritório.
— Benedito, aquele vaso ali é antigo? — perguntou Catarina, os olhos brilhando.
— Com certeza! — Ele agarrou a peça e enfiou com cuidado dentro de uma sacola.
O plano deles era raspar o tacho.
— Mas vem cá, além desses vasos, não tem mais nada aqui? Por que a avó guardava isso como se fosse um cofre? — reclamou Catarina, frustrada com a falta de ouro visível.
— Deve ter alguma passagem secreta! Nessas séries de rico, o escritório sempre tem um fundo falso. Vamos procurar direito!
Os dois começaram a bater nas paredes e mexer nas estantes feito desesperados.
De repente, Catarina bateu no revestimento de madeira e o som ecoou estranho.
— Benedito, vem cá! Ouve isso! Tá oco. Será que tem um cofre aqui atrás? Os tesouros devem estar escondidos aqui!
— Bingo! Pega aquele martelo, vou arrebentar isso agora! — Benedito pegou a ferramenta e começou a golpear a parede com fúria.
— Shhh! Faz menos barulho, idiota! E se o tio Eduardo ouvir e vier roubar a nossa parte?! — sussurrou a irmã, olhando nervosa para a porta.
Com cuidado e ganância, eles conseguiram quebrar o painel falso.
— Sabia! Olha lá o tesouro!
Era uma caixa de madeira escura. Os dois a puxaram para fora, trêmulos de empolgação.
— Estamos ricos! Ricos! Escondido tão bem assim, com certeza vale uma fortuna! — Catarina quase pulava de alegria.
Havia um cadeado enferrujado na caixa. Benedito nem pensou duas vezes. Deu uma marretada na tranca.
Bang!
A caixa estremeceu.

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