— Hector, e agora? Você bebeu, nem devia estar no volante! E ainda destruiu o carro da Antonieta. Será que o presidente vai ficar furioso com isso?
O aviso de alguém ali perto fez um calafrio subir pela espinha de Hector Domingos.
Se o presidente descobrisse que ele destruiu o carro, será que acharia que ele era um irresponsável e o forçaria a terminar com Antonieta Malta?
— Com o carro nesse estado, o conserto vai ser uma fortuna, não vai?
Antonieta Malta lançou um olhar para o mordomo Bruno Assunção. Ele trincava os dentes, tremendo de ódio pela irresponsabilidade da filha.
Ela ficou paralisada, sem coragem de abrir a boca.
Foi então que Hector Domingos agarrou a mão dela em desespero.
— Antonieta, me perdoa, juro que não foi de propósito. Eu te peço desculpas do fundo do meu coração. Você não está brava comigo, está?
— Eu... eu não estou brava com você. Só me preocupo com o que o presidente... quer dizer, o que o meu pai vai dizer.
— Antonieta, o seu pai te mima demais, ele faz tudo o que você quer! Você é a única filha dele. Mesmo que um carro tenha sido destruído, ele não vai se importar. É só você mandar consertar escondido antes que ele perceba! Eu te imploro, foi um acidente, me perdoa!
Vendo a situação, Edileuza Lopes interveio a favor de Hector.
— Antonieta, hoje era para ser um dia de festa. Ninguém queria que isso acontecesse. O assistente Domingos nunca teria como pagar um prejuízo desses, mas com a quantidade de carros que a sua família tem, um a menos não é nada para você. Que tal a gente só deixar isso para lá?
Os outros em volta concordaram com a cabeça.
Sem ter como recuar e precisando manter a pose, Antonieta não teve outra escolha.
— Fiquem tranquilos, eu não estou brava. É só um carro esportivo qualquer. Tenho dezenas na garagem, não ligo para esse. Acho que vocês já viram tudo por aqui, vamos entrar para beber e comer alguma coisa! — anunciou Antonieta.
Ela precisava tirar aquela multidão dali o mais rápido possível, antes que causassem mais desastres.



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