Depois de terminar a ligação, Tereza foi ao banheiro.
Ela viu Antonieta Malta escondida perto das pias, olhando silenciosamente para o rasgo no vestido.
Pelo visto, ela ainda estava sofrendo pela roupa.
Afinal, nunca tinha vestido algo tão caro na vida.
— Pare de choramingar, é só um vestido. — disse Tereza.
Antonieta Malta já estava com o coração apertado por causa do estrago. Ao ver a culpada se aproximar, sua raiva só aumentou.
— Tereza Souza, não passe dos limites! Eu já deixei isso para lá, você deveria colocar o rabo entre as pernas e ficar calada.
Tereza deu um sorriso de desdém.
— Acho que quem deveria colocar o rabo entre as pernas é você, não? Você sabe muito bem de onde veio esse vestido. Se eu não te desmascarei, é porque não quis perder meu tempo. Mas se você ousar tentar seduzir o Abner Carvalho de novo ou vier arrumar problema comigo... Eu garanto que tudo o que você tem agora vai desaparecer num piscar de olhos!
Depois de dar o aviso, Tereza lavou as mãos e saiu.
Antonieta Malta ficou parada no mesmo lugar, rangendo os dentes de ódio.
Que direito Tereza tinha de falar com ela daquele jeito?
Será que ela sabia de alguma coisa?
Não. Uma mulher como Tereza, que vestia roupas baratas de camelô, não teria como saber a origem do seu vestido.
Era absolutamente impossível!
Além do mais, o vestido não havia sido roubado, nem era uma falsificação.
Ela o usava com a consciência limpa. Não tinha nada a temer!
Depois do expediente.
Antonieta Malta voltou para casa. O vestido arruinado a deixou de péssimo humor o dia todo.
— Antonieta, o que foi? — perguntou o tio Bruno, aproximando-se.
— Não é nada, pai.
Ela estava amuada. Ao erguer os olhos para a imensa mansão, sentiu um aperto de frustração no peito.
— Antonieta, se tem algo te incomodando, pode falar com o seu pai.
— Pai, me diz uma coisa... E se essa mansão fosse nossa? — murmurou Antonieta Malta, pensativa.
O mordomo Bruno Assunção tomou um susto terrível!


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