Antonieta Malta estava por dentro se corroendo de raiva!
O vestido de sete dígitos, que ela mal tinha tido tempo de desfilar para ostentar, estava arruinado!
Seu coração sangrava, e a dor em sua expressão nem precisava de atuação.
— O que foi? É só um vestido. Por que está parecendo que o mundo acabou? — Tereza alfinetou, num tom de deboche.
— Porque... porque foi um presente da minha mãe no meu aniversário! Se fosse qualquer outra peça, eu não ligaria. Mas esse vestido tem um valor sentimental enorme para mim!
"Hmph! Presente de aniversário da mãe dela, sei", pensou Tereza, segurando o riso.
Esse vestido foi o presente que a *minha* mãe me deu quando completei dezesseis anos!
A audácia e a cara de pau daquela sonsa eram impressionantes.
Hector Domingos logo se adiantou para defendê-la: — Que tom é esse, Tereza Souza? O vestido custa uma fortuna. Você acha errado a Antonieta ficar arrasada? Ainda mais sendo um presente da mãe dela! Você está tentando usar chantagem emocional para não pagar o prejuízo?
— Tereza Souza, você passou de todos os limites. Assuma a sua responsabilidade e pague a garota! Olha o desespero da Antonieta!
— E pensar que eu achei que ela fosse uma pessoa decente depois daquela história da cantina. Pelo visto, o caráter dela é podre. Destruir as coisas dos outros por pura inveja.
— Eu fiquei tremendo só de encostar numa peça tão cara. E ela vai lá e rasga como se fosse lixo!
— Tem que pagar! Exigimos que ela pague!
Tereza lançou um olhar gelado para o grupo de justiceiros e respondeu com total desprezo: — Pagar? Tudo bem, eu pago. Mas o valor não vai ser baseado no achismo de vocês. Antonieta Malta, mostre a nota fiscal. O valor que estiver no papel, eu transfiro para a sua conta.
Antonieta Malta congelou na hora.
De onde diabos ela tiraria uma nota fiscal?

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