— Tive uns imprevistos em casa. Assim que resolvi tudo, vim para cá.
— Hmph! Você acha que a empresa é a casa da sua mãe? Entra e sai quando quer! — Edileuza Lopes bufou friamente.
Tereza pensou consigo mesma: "Mas a empresa é literalmente da minha família."
Edileuza Lopes deu as costas e foi direto para a sala do gerente.
— Gerente, aquela Tereza Souza não tinha ido embora dias atrás? Como é que ela voltou do nada? Pelas regras da empresa, ela deveria ser demitida por abandono de emprego!
O gerente suspirou: — Supervisora Lopes, eu também não entendo. Achei que ela não fosse mais voltar. O problema é que eu reportei a situação, mas a diretoria não autorizou a demissão. Sem o documento oficial, não podemos mandá-la embora.
— Será que... ela tem costas quentes? — Edileuza Lopes finalmente se deu conta.
— É bem provável. Acho que ela deve ser filha de algum executivo, fazendo estágio por aqui. Mas alguém influente não gosta dela e quer forçar a saída da garota, por isso pediram para dificultarmos a vida dela nos bastidores.
Edileuza Lopes sentiu um frio na barriga. — Como é que é? Ela é protegida de alguém? E se ela resolver se vingar de mim por tudo que eu já fiz?
O gerente acenou com a mão, minimizando. — Fique tranquila. Por mais influente que ela seja, ela não é maior que a família Freitas. Quem nos deu a ordem foi alguém da família Freitas. A empresa pertence a eles, quem estaria acima deles? Enfim, apenas dê um jeito de pressioná-la até ela não aguentar mais e pedir as contas.
— Certo, entendi. Vou cuidar disso.
Edileuza Lopes sentiu uma pontada de dor de cabeça.
Mas, pelo bem do próprio futuro, sua única opção era continuar transformando a vida de Tereza num inferno.
Ela saiu da sala e jogou uma pilha enorme de documentos na mesa da garota.
— Tereza Souza, organize todos os relatórios da última quinzena. Além disso, quero o planejamento de vendas pronto em vinte e quatro horas.
— Tudo bem, supervisora. — Tereza aceitou sem pestanejar.
Ela sabia muito bem que Edileuza Lopes estava fazendo aquilo de propósito para sobrecarregá-la.
Mas não importava. Depois de tudo que enfrentou ao retornar do país K, ela já estava vacinada contra coisas piores.


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