— Não. — Helena respondeu secamente, sem rodeios.
— O que você disse? Você não terminou o trabalho?
— Exato. Aquele diretor Lobato não passa de um pervertido descarado. Ele não entende absolutamente nada de design, não é profissional. Mostrar qualquer esboço para ele é o mesmo que jogar pérolas aos porcos.
— E por causa disso você simplesmente pegou suas coisas e voltou?
— E o que você queria que eu fizesse? Que eu ficasse lá e transasse com ele?
Elaine Lima ficou sem ar por um segundo.
Mas logo sorriu internamente. Hmph! Essa insolente finalmente ofendeu o diretor Lobato!
Naquele exato momento, o telefone de Elaine tocou.
Ela atendeu com um sorriso, mas logo sua expressão mudou drasticamente. Ela ficou pálida.
Ao desligar o telefone, ela apontou um dedo trêmulo e furioso para Helena.
— Você... Além de não concluir a tarefa, você espancou o diretor Lobato?! O homem está internado no hospital agora mesmo! Helena, olha a merda que você fez! Você agrediu o cliente!
— Ele tentou abusar de mim, é claro que eu ia espancá-lo. Se fosse você no meu lugar, teria ficado quietinha e transado com ele para fechar o contrato?
— Você... Você é simplesmente irracional! Você arruinou a colaboração da empresa! Não podia ter cedido um pouco e levado as coisas com mais diplomacia?!
— Eu tentei. Ele disse que o seu design estava ruim, então eu desenhei várias outras opções na hora para ele ver. Mas ele continuou dizendo que não estava satisfeito. Ele não sabe nada de design! Não importa quantos esboços eu fizesse, ele não conseguiria entender nenhum! O objetivo dele era me assediar desde o início, por que diabos eu seria educada com um lixo daqueles?
Dizendo isso, Helena jogou a pasta com os documentos em cima da mesa de Elaine com um baque surdo.
Elaine nem se deu ao trabalho de olhar para a pasta. Estava tremendo de raiva.
— Certo! Muito bem, senhora certinha! Você não tem ideia do buraco em que se meteu! Eu vou agora mesmo procurar a diretora geral e exigir que ela te demita!
Elaine saiu batendo o pé, furiosa, em direção ao escritório de Sienna.
Renata Sadrosa lançou um olhar de pura pena para Helena. É claro que ela sabia que Elaine havia armado tudo de propósito.
Se Helena não tivesse voltado hoje, a pessoa enviada para aquele quarto de hotel seria ela.
E ela com certeza não saberia como se defender ou escapar.
Mas, obviamente, Sienna não acreditou em uma única palavra dramática da gerente. Afinal, aquela garota era praticamente a verdadeira dona de tudo ali!
Por isso, enquanto Elaine falava sem parar, espumando de raiva, Sienna a ignorou completamente e continuou focada nos documentos em sua mesa.
— Diretora, a senhora ouviu uma palavra do que eu acabei de dizer?! A Helena arruinou toda a colaboração! O cliente está furioso! O diretor Lobato está deitado em uma cama de hospital! Nós não apenas vamos quebrar o contrato, mas eles vão nos processar e exigir que paguemos as despesas médicas!
Sienna finalmente levantou a cabeça, com a expressão mais neutra do mundo.
— Tudo bem. Mande a Helena vir aqui. Vou perguntar a ela o que realmente aconteceu.
Sem dar tempo para Elaine argumentar, Sienna pegou o telefone da mesa e pediu que chamassem Helena imediatamente.
Elaine estava fervendo de insatisfação. A diretora ainda se recusava a acreditar nela?!
Ainda queria chamar aquela mulher para se explicar pessoalmente?!
Poucos minutos depois, Helena bateu na porta e entrou de cabeça erguida.
— Diretora, mandou me chamar.

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