— N-Não! Claro que não, Diretor Domingos! Eu... Eu só fiquei curiosa hoje.
— Curiosa? Curiosa com o quê?
Roberta abaixou a cabeça, o terror travando suas cordas vocais.
— Responda quando eu pergunto! — a voz de Isaque cortou o ar, fazendo a secretária dar um pulo de susto.
— E-Eu... Eu falo! Eu achei que o senhor... estivesse escondendo um homem aqui. Alguém por quem o senhor estivesse apaixonado... Então, eu decidi vir dar uma olhada.
— Um homem? — As sobrancelhas de Isaque se uniram.
Ele realmente não imaginava que aquela fofoca idiota tinha chegado àquele ponto.
— E quem foi que te disse que eu gosto de homens?
— E-Eu não sei.
— Bom, já que você acha que eu gosto de homens e a sua curiosidade é tão grande, eu dou permissão para você entrar e dar uma boa olhada.
O coração de Roberta falhou. Ela não conseguiu decifrar o que Isaque pretendia com aquilo.
Como ele poderia ser tão generoso do nada?
— Entre logo! Você não estava morrendo de vontade de ver? Hoje, eu mato a sua curiosidade!
Tremendo da cabeça aos pés, Roberta caminhou para dentro da sala, o peito apertado de ansiedade.
Se soubesse que atrairia a fúria do chefe daquele jeito, preferiria morrer a ter ido atrás dele.
Assim que entrou no cômodo, seus olhos bateram no corpo destroçado de um homem, jogado no meio de uma poça de sangue e imundície.
A cena era um verdadeiro abatedouro.
Suas pernas perderam a força, e ela desabou no chão, os olhos arregalados em choque absoluto.
Um grito mudo rasgou sua garganta enquanto ela recuava, rastejando desesperadamente até conseguir fugir para o corredor.
— Diretor Domingos, eu nunca mais vou olhar! Eu juro que nunca mais sigo o senhor! Pelo amor de Deus... — Roberta soluçava, tremendo incontrolavelmente.
— Suma da minha frente agora! — Isaque ordenou, as palavras gélidas vazando impaciência.
Roberta correu em disparada, fugindo como se escapasse do próprio diabo.
Ela jamais imaginaria que o sempre polido e elegante Diretor Domingos escondesse uma natureza tão monstruosa e sanguinária.
Torturar alguém até aquele estado.
— Diretor Domingos, o que fazemos com o lixo lá dentro? — perguntou João Santos.
— Embrulhe para presente e mande entregar direto para o Armando Domingos!
Lucas podia ser um irresponsável o tempo todo, mas ainda era seu único filho!
O herdeiro em quem ele depositava todas as suas esperanças!
O futuro dono do Grupo Domingos!
— Rápido! Levem o jovem mestre para o hospital agora!
Eles notaram que Lucas ainda respirava fracamente e o levaram às pressas para a emergência.
Horas agonizantes se passaram na sala de cirurgia. Finalmente, o cirurgião saiu e caminhou até Armando:
— Diretor, a situação do paciente é crítica. Ele sofreu fraturas completas em quase todas as costelas.
— Seus braços e pernas também sofreram fraturas cominutivas. Reconstruir essas articulações é impossível agora. Ele certamente passará o resto de sua vida confinado a uma cama. O senhor deve se preparar para isso.
— Além disso, há algo ainda mais grave. O paciente perdeu sua masculinidade de forma irreversível. A partir de hoje, ele não poderá gerar herdeiros nem ter relações íntimas.
Armando cambaleou, as pernas cedendo e quase desabando no chão do corredor.
— Como... Como isso foi acontecer...
Ele imaginou todos os piores cenários possíveis, mas jamais imaginou algo tão terrível e definitivo.

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