Eles provavelmente estavam apodrecendo naquele buraco há muito tempo.
Lembrando-se do que ouvira sobre Tereza estar ali, Helena olhou furtivamente para o lado.
A silhueta trêmula na escuridão era inconfundível.
Sem dúvida, tratava-se de Tereza.
Os cabelos da jovem estavam emaranhados e cobertos de sujeira.
Ela estava largada contra as grades de madeira, com o olhar completamente desprovido de vida.
— Helena... Helena, me salve... Helena... — Murmurava a garota de forma delirante.
Ao escutar aquele sussurro agonizante, os olhos de Helena se encheram de lágrimas.
Ela havia chegado tarde demais.
Sua demora fez com que a pobre garota suportasse todo aquele sofrimento sozinha.
— Tereza. — Sussurrou Helena, chamando-a na escuridão. — Sou eu, eu estou aqui.
O corpo de Tereza se agitou na água, criando pequenas ondulações na superfície suja.
A jovem piscou os olhos pesados e olhou ao redor.
Finalmente, ela percebeu que a pessoa na gaiola vizinha era Helena.
— Eu... eu não estou sonhando, estou? — Gaguejou Tereza, com a voz embargada. — É realmente você, Helena?
Durante todos os dias daquele inferno, ela ansiou dia e noite pelo resgate de sua amiga.
A imagem de Helena aparecia em todos os seus sonhos febris.
Exatamente como na sua infância.
Na época em que fora levada por traficantes de pessoas, Helena havia surgido em seu momento de maior desespero para levá-la de volta para casa.
— Sou eu, Tereza. — Afirmou Helena suavemente. — Eu vim para te salvar.
— Não, isso só pode ser um sonho. — Choramingou a garota, balançando a cabeça. — Como você poderia estar aqui? — Você só aparece nos meus sonhos. — Nos últimos dias, você veio tantas vezes, mas sempre desaparecia como fumaça!
Helena estendeu o braço por entre as frestas da gaiola.
Havia uma pequena distância entre as duas que a impedia de tocá-la.
— Tereza, ouça bem o que eu digo. — A voz de Helena carregava uma firmeza inabalável. — Você não está sonhando, isso é real. — Eu vim até este lugar amaldiçoado apenas para resgatá-la, então acredite em mim!
Tereza paralisou por um instante antes de erguer seu braço trêmulo e estender a mão.
As pontas de seus dedos se encontraram e suas mãos se apertaram firmemente.


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