Os feridos não tinham o direito de gemer.
Qualquer som atrairia punições ainda mais cruéis.
O grupo era formado por cerca de trinta indivíduos.
Helena analisou cada rosto com atenção.
Tereza não estava entre eles.
O paradeiro da amiga continuava um mistério.
Mais de dez capangas armados com metralhadoras cercavam o perímetro.
Ninguém ousava mover um músculo sequer.
Após o término do sermão do gerente, todos foram obrigados a gritar palavras de ordem.
— Para vencer, é preciso enlouquecer!
— Para vencer, é preciso enlouquecer!
O tom inflamado dos gritos faria qualquer um acreditar que se tratava de um exército prestes a marchar para a guerra.
Em seguida, os prisioneiros veteranos dirigiram-se aos seus postos.
O trabalho compulsório começava sem sequer uma refeição matinal.
— Vocês aí, venham comigo. — Ordenou um capanga, apontando para Helena e outros novatos.
Como haviam acabado de chegar, precisavam passar pelo bizarro treinamento de integração do local.
O grupo de cinco foi encaminhado a uma sala.
Eles receberam cartilhas contendo instruções e discursos elaborados para aplicar golpes.
— A partir de agora, este é o seu trabalho. Ouçam bem: tentativas de fuga são proibidas. Vocês só estarão livres quando atingirem as metas e quitarem a dívida com a nossa empresa!
Ao ouvir a menção sobre uma possível libertação, um homem ao lado de Helena questionou.
— Isso é sério? Nós realmente poderemos ir embora?
— Com certeza, a nossa empresa cumpre com a palavra. Mas a condição é clara: vocês devem alcançar as metas e pagar o que devem!
— E qual seria o valor da nossa dívida? — Insistiu o homem.
O gerente lançou-lhe um olhar de desprezo.
— Neste exato momento, cada um de vocês nos deve um milhão.
Até Helena ficou estupefata.
O simples fato de entrar pelas portas já resultava numa dívida astronômica de um milhão.
Que nível absurdo de tirania!
O homem demonstrava total confusão.



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