— Tsc, tsc. Branca Peçanha, então esse é o seu gosto? — Bianca zombou.
Branca Peçanha olhou para ela.
— E daí? Algum problema?
— Eu e meu marido temos um relacionamento normal, somos casados no papel.
— Eu não sou amante de ninguém.
— Já você, vestida assim tão bem... de quem você é a amante?
Era realmente engraçado.
Foi a primeira vez que Bianca viu alguém que se casou com um velho por interesse agir com tanta superioridade moral.
— Sinto muito, mas não sou tão "habilidosa" quanto você.
— Eu ainda não me casei.
— Eu ganho a vida com meu próprio mérito.
— Jamais me venderia para um homem que tem idade para ser meu pai!
O marido de Branca Peçanha interveio:
— Mocinha, não fale de forma tão desagradável.
— Você sujou o vestido da minha querida, não deveria indenizá-la?
— E vocês aí da loja... minha esposa só queria comprar uma sobremesa e vocês não vendem?
— Eu ordeno agora: façam outra para a minha esposa!
O homem careca apontou o dedo para a atendente.
A atendente respondeu educadamente:
— Desculpe, senhor. As sobremesas desta série são limitadas a uma unidade por dia.
— Não temos ingredientes extras e não faremos outra.
— Uma unidade? Quer enganar quem?
— Chame o confeiteiro agora. Eu pago o dobro! Façam outra para mim!
— Senhor, essa é a regra da loja. Espero que compreenda.
— Se continuar com essa enrolação, acredita que eu compro esta loja inteira?
Aderindo à crença de que o cliente sempre tem razão e temendo que a situação saísse do controle, a atendente cedeu um passo.
— Senhor, vou ligar para o nosso gerente e perguntar.
— Depressa. É só uma sobremesa, por que tanta complicação? Que irritante! — O homem disse com impaciência.
A funcionária pediu desculpas repetidamente e foi para o lado fazer a ligação.
Conseguir tornar o impossível em possível o deixava extremamente vaidoso.
Bianca disse insatisfeita:
— Branca Peçanha, se você quer comer a sobremesa, coma aqui. Nós não temos tempo para ficar lhe fazendo companhia.
— Não podem ir! — Branca Peçanha as bloqueou.
— Esperem eu pegar a sobremesa primeiro, depois falamos sobre a indenização do vestido.
— Bianca, não me diga que você não tem dinheiro para pagar e por isso quer fugir?
— Eu? Sem dinheiro?
— Só não quero ficar aqui perdendo tempo com você!
Helena puxou Bianca discretamente e sussurrou:
— Espere um pouco. Já chamei alguém para resolver a questão do vestido.
Bianca não entendeu o que Helena queria dizer, mas decidiu esperar para ver o que ela faria a seguir.
— Helena, você tem mesmo como resolver o problema daquele vestido?
— É um LAX Studio. As coisas da LAX Studio são as mais difíceis de lidar.
— Falando sério, agora estou um pouco arrependida de ter sujado a roupa dela. Nem notei que era um LAX Studio. — Bianca sussurrou para Helena.

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