Dona Anahi não esperava que o assunto ainda não tivesse terminado.
— Se... Senhora, isso pode ter acontecido quando o Jovem Mestre saiu, talvez tenha brigado com alguém ou caído. Isso é muito normal, não é?
— Normal? Eu não acho nada normal. Acabamos de examinar e aquilo não foi queda, nem briga. Foram beliscões! Senhora, acho necessário verificar as câmeras de segurança da casa onde o Jovem Mestre Benjamim Silveira vive. — Sugeriu Helena.
Ela percebeu à primeira vista que Dona Anahi, que estava diante dela, era uma pessoa dissimulada, que obedecia na frente e desobedecia pelas costas.
Era exatamente como aquela mulher no interior, quando Helena era criança.
Melissa Nunes dava dinheiro à mulher para cuidar bem dela, mas assim que Melissa virava as costas e ia embora, a mulher começava a maltratá-la.
Por já ter passado por essa tempestade, Helena certamente seguraria o guarda-chuva para ele.
— Senhora, a senhora não pode dar ouvidos às asneiras dessa mulher! Eu realmente não fiz nada. Os ferimentos no Jovem Mestre foram mesmo de quedas na rua. Nós tratamos o Jovem Mestre muito bem! É verdade!
Dona Anahi terminou de falar e olhou para Helena.
— Eu não tenho nada contra você, por que você quer me caluniar? Por quê?
— Eu não estou te caluniando, estou apenas dizendo os fatos. Se você não fez nada, por que está com a consciência pesada? Se sua relação com a Senhora é tão boa, você não deveria ter medo de nada. É só checar as câmeras!
— Eu...
Serena Mascarenhas Silveira a interrompeu.
— Chega. Façam como eu disse. Vão buscar as gravações da vigilância da casa onde o Jovem Mestre mora. Eu quero ver pessoalmente! Se eu tiver te injustiçado, Dona Anahi, pedirei desculpas.
Como a ordem veio da patroa, Dona Anahi não ousou desobedecer e teve que esperar ao lado.
Pouco tempo depois, um empregado trouxe o sistema de monitoramento.
— Senhora, o registro das câmeras está danificado, então não dá para ver nada!
— Como pode estar danificado? — Serena Mascarenhas Silveira não entendeu.
Nesse momento, Dona Anahi lançou um olhar presunçoso para Helena.
Helena deu um passo à frente.
— Chega! Você não entende linguagem humana? Você é um bicho? Coisa pior que cachorro! Se sua mãe gostasse de você, acha que teria te jogado neste lugar? Por sua causa eu também tenho que sofrer aqui. Eu deveria estar na mansão da família Silveira, mas estou presa aqui com você há anos. Que inferno!
Dona Anahi terminou de falar com raiva e começou a beliscar o corpo de Benjamim Silveira.
— Ah!! A Galinha Velha quer me bicar... Não... não...
Benjamim Silveira, sem entender, começou a uivar.
— Quem você está chamando de Galinha Velha? Seu traste que nem cachorro quer.
Dona Anahi falava enquanto continuava a beliscá-lo com força.
Benjamim Silveira, cuja inteligência era como a de uma criança, corria de um lado para o outro tentando escapar.
De repente, ele esbarrou em Dona Anahi e a derrubou no chão.
Dona Anahi revelou uma expressão feroz.

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