— Chefe... Chefe... — Murmurou Isaque Domingos, bêbado.
Roberta franziu a testa.
— Diretor Domingos, quem o senhor está chamando?
— Chefe... Chefe...
Desta vez, Roberta ouviu claramente.
Era "Chefe"!
Ela ficou confusa; quem seria esse "Chefe" que Isaque Domingos chamava?
Mesmo bêbado, era essa pessoa que ele chamava repetidamente.
Seria um homem? Geralmente, "Chefe" refere-se a um homem, não é?
O Diretor Domingos... será que ele gosta de homens?
Roberta levou um susto e recolheu os dedos imediatamente.
Ela notou que ele segurava algo com força na mão; ao olhar, viu que era uma pedra.
A pedra era estranha, parecia algo comum e sem graça.
Não era a primeira vez que via aquela pedra; certa vez, ao entrar no escritório, viu Isaque Domingos segurando-a, perdido em pensamentos.
Na época, ela pensou que ele gostasse de gemologia ou algo do tipo.
Mas segurá-la mesmo bêbado indicava que era muito importante para ele.
Será que foi um presente de um homem?
O Diretor Domingos gosta de homens!
Roberta sentiu que havia descoberto um segredo colossal.
Era possível que Bianca fosse apenas um disfarce, e que ele, na verdade, gostasse de homens!
...
Na mansão da família Martins.
— Já é tão tarde, Liliane, por que ainda não foi dormir? — Perguntou Catia Silva, descendo as escadas.
— Pois é! Ela passa o dia todo fora e ninguém vê. Pai, a empresa teve hora extra até tarde hoje? — Perguntou Liliane Martins.
— Não, não houve nada na empresa recentemente, o expediente acabou cedo. Uma garota não voltar para casa à meia-noite, onde já se viu! Está cada vez mais sem regras! — Djalma Martins ficou visivelmente irritado.
Catia Silva e Liliane Martins trocaram olhares, exibindo expressões de triunfo.
— Marido, não culpe a Bianca. Afinal, ela acabou de voltar para a família Martins. Passou anos selvagem lá fora, imagino que a mãe biológica não a tenha educado bem. Mas fique tranquilo, de agora em diante, vou vigiá-la e colocá-la nos trilhos! Caso contrário, se continuar assim, como ela vai se casar no futuro? Não podemos deixar que ela envergonhe a família Martins.
— Certo, ligue para ela agora e pergunte onde está! — A raiva de Djalma Martins crescia sem motivo aparente.
Liliane Martins apressou-se em lhe entregar uma xícara de chá.
— Pai, beba um pouco de chá, não se irrite, faz mal à saúde!
Djalma Martins olhou para Liliane Martins e suspirou.
— Ainda bem que tenho a Liliane. Obediente e sensata, não me dá dor de cabeça. A propósito, como está o seu braço?
Liliane Martins hesitou por um segundo antes de responder.
— Pai, meu braço está bem, o médico disse que vai se recuperar aos poucos.

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