A mãe de Ayrton e Adelina Gomes perguntaram ao mesmo tempo.
O médico olhou para elas.
— A criança não resistiu.
— Houve um aborto!
As duas sentiram como se tivessem sido atingidas por um raio.
— Meu neto...
— Meu neto se foi...
— E ainda fala em neto!
— Essa família de vocês não tem consciência.
— Minha filha está casada com vocês há poucos dias e já a fizeram abortar!
— Vocês têm que me dar uma explicação! — Xingou Adelina Gomes.
José Farias sabia que estava errado e continuava se desculpando.
Mas a mãe de Ayrton endureceu.
— Explicação?
— Você provavelmente ainda não sabe o que sua filha fez, não é?
— Ela drogou meu filho.
— Destruiu o casamento do meu filho com a Clara.
— Foi assim que essa criança foi concebida!
— Eu é que quero uma explicação de vocês...
— O que você quer dizer?
— Vocês acham que têm razão...
A mãe de Ayrton e Adelina Gomes estavam prestes a brigar novamente.
— Aqui é um hospital, por favor, façam silêncio! — Alertou o médico.
Eduardo e José Farias separaram as duas.
Ninguém cedia.
Decidiram deixar a velha senhora julgar a justiça.
...
— Estava tudo bem, casados há poucos dias, e acontece uma coisa dessas.
— Ouvi dizer que vocês até brigaram no hospital? — A velha senhora olhou para as pessoas presentes.
— Mãe, a Catarina é sua neta biológica!
— A senhora sempre a amou.
— Ela certamente sofreu algum abuso para ficar assim! — Disse Adelina Gomes chorando.
— Abuso?
— Não diga bobagens, foi apenas uma briga de casal! — Apressou-se em dizer a mãe de Ayrton.
— Briga?
— Existe briga que faz perder a criança?
— A culpa é de vocês que não aconselharam direito!
— Antes, a Catarina me ligou dizendo que você, como sogra, dificultava a vida dela o dia todo.
— Eu sei que vocês não gostam da Catarina.
— Mas não podem ser tão cruéis a ponto de matar a criança na barriga dela!
Enquanto falavam, as duas estavam prestes a brigar de novo.
— A parede do útero ficou muito fina, facilitando o aborto.
— Antes disso, ela manteve relações físicas com o ex-gerente financeiro da empresa e com alguns funcionários.
— A vida privada dela é caótica.
— Eu tenho parte da causa no aborto de hoje.
— Mas ela deve assumir a responsabilidade principal.
— Por isso, eu digo que ela mereceu!
— Ela destruiu a mim e a Clara.
— Ela é uma louca.
— Se vocês não acreditam nessas coisas que estou dizendo, podem perguntar ao médico.
— E também aos antigos funcionários da empresa.
— Eles sabem quantos namorados a Catarina teve na empresa.
— Agora que as coisas chegaram a esse ponto, se quiserem me punir, eu aceito.
— Mas, de hoje em diante, não teremos paz entre nós.
— Será tortura mútua!
— Você... Você está mentindo!
— Nossa Catarina não é assim... — Adelina Gomes queria dizer mais, mas foi interrompida por Ayrton novamente.
— Se é ou não, você sabe no seu coração, e eu sei no meu.
— E Vovó, a senhora é a chefe da família.
— Não acredito que não tenha nenhuma notícia sobre as ações da Catarina.
— Vamos parar de fingir.

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