— Felicidade? Heh! — Ayrton riu com escárnio de si mesmo.
Seu olhar fixou-se friamente em Catarina.
— Você acha que ainda existe alguma felicidade para mim?
— A pessoa que eu amo é a Clara.
— Mas você insistiu em usar esses meios sórdidos para nos separar, para nos enojar.
— Catarina, eu já não tenho felicidade.
— Eu te disse antes: se fosse um acidente, eu seria um bom marido e um bom pai.
— Mas, se não fosse um acidente, iríamos juntos para o inferno!
— Ninguém terá paz!
— Você... Marido, você... — Catarina olhou para Ayrton, chocada.
Antes, ela pensava que ele estava brincando.
Não imaginava que ele falava sério!
— Você acha que sou fácil de intimidar?
— Que pode brincar comigo na palma da sua mão?
— Catarina, agora eu vejo seu caráter com clareza.
— A assistente Domingos não confessou apenas aquele incidente.
— Ela também contou sobre o seu passado!
— Ela é uma funcionária antiga da empresa e te conhece muito bem.
— Antes disso, havia um funcionário no departamento financeiro chamado Simão Cruz.
— Você teve um caso com ele, não teve?
— Namoraram por dois anos.
— E não foi só o Simão.
— Houve outros funcionários da empresa, vários deles.
— Sua vida privada é suja.
— Você é uma mulher devassa e sem vergonha!
— E mais, onde é que você me ama?
— Você só queria me possuir.
— Você não aceitava que eu fosse roubado pela Clara.
— Então, o que ela tinha, você precisava ter.
— Você é egoísta e não se importa com os sentimentos dos outros.
— Você é realmente desavergonhada!
— Eu deveria ter visto sua verdadeira face antes.
— Assim, eu jamais teria me casado com você!
Catarina estava assustada com Ayrton.
Ela recuou passo a passo.
— Ayrton, não importa o que aconteça, já somos marido e mulher.
— Eu carrego seu filho.
— O passado já passou, por que você ainda se importa com isso?
— Socorro... Socorro...
Pá!
Sua mão bateu na penteadeira atrás dela.
Os cosméticos caíram no chão, fazendo um barulho alto.
— Ótimo!
— Já que você é assim, vamos juntos para o inferno!
— Juntos para o inferno! — Nos olhos de Ayrton, surgiu um brilho cruel.
Ele sempre fora gentil e cavalheiro.
Nunca estivera tão furioso.
— O que está acontecendo? — A mãe de Ayrton empurrou a porta e entrou.
Ao ver Ayrton estrangulando Catarina, ficou chocada.
Correu para aconselhar o filho.
— Filho, você não pode fazer isso!
— Solte-a!
— Não pode matar ninguém!
— Por mais que você não goste dela, as duas famílias agora são parentes.
— Solte rápido!
A mãe de Ayrton tentou abrir as mãos de Ayrton.
Ayrton, de repente, empurrou Catarina com força.

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