A primeira vez que Carina viu Leonardo foi anteontem.
No caminho de volta à universidade, um Maybach preto entrou direto no campus e parou na beira da estrada, bloqueando-a.
A janela abaixou e um homem de vinte e poucos anos estava sentado no banco do motorista.
Ele a avaliou, olhando da cabeça aos pés e dos pés à cabeça, com um olhar de quem escolhe carne no mercado.
Havia outra pessoa no banco do carona.
Carina reconheceu, era o veterano do quarto ano do seu departamento, do conselho estudantil, que já havia ido à sua sala recrutar calouros.
— Leonardo, — o cara se inclinou, com um tom lisonjeiro — é muito parecida, não é?
Leonardo não respondeu, os seus olhos ainda vagando por Carina.
Depois de um bom tempo, ele pegou um cigarro e o colocou na boca, abrindo-a lentamente: — Três milhões por ano, durma comigo, o que me diz?
O rosto de Carina ficou pálido de repente.
Ela já era branca, sem muita cor, mas naquele momento o seu rosto ficou verde.
Ela sentia nojo.
Mas sabia que não podia ofender esse tipo de pessoa.
— Você encontrou a pessoa errada.
Carina virou as costas e saiu.
Veio um riso de trás, e o clique do isqueiro acendendo.
— Ah, até mais.
Leonardo disse.
Agora, era a segunda vez que se encontravam.
Os eventos do livro estavam se transformando em realidade pouco a pouco.
Aquelas cenas sem dignidade logo aconteceriam com ela.
Um ódio surgiu. Carina apertou os dedos e depois soltou-os lentamente.
Ela sabia que só tinha um caminho a seguir—
Atacar primeiro, antes que a machucassem.
Revidar antes que batessem nela.
Aqueles olhos de raposa se ergueram, encontrando o olhar explícito com calma: — Eu não vou.
Zélia Barros já estava cega pelo dinheiro, agachada no chão pegando as notas, com um sorriso de orelha a orelha: — Carina, não é por falar mal, mas você também— Ah!
Zélia Barros soltou um grito.
O sapato de couro de Leonardo pisou nas costas da mão dela. As lágrimas jorraram de dor. Quando puxou a mão para ver, havia uma mancha vermelha.
Leonardo não a olhou nem uma vez. Entrou na casa a passos largos e foi direto para Carina.
Ele levantou a mão para abrir um botão da camisa, agarrou o colarinho de Carina, empurrou-a contra a janela da varanda e pressionou todo o seu corpo contra ela.
Os cantos da boca dele ergueram-se num sorriso displicente: — Não vem comigo?
Jurandir Barros e Léo, que haviam acabado de sair do quarto, não entenderam a situação.
Jurandir Barros viu o chão cheio de dinheiro e ouviu Zélia Barros gritar, pensando que era um assalto, pegou uma cadeira e ia avançar: — Puta que pariu—
Assim que se moveu, um dos Seguranças de Leonardo, vestido de preto, entrou pela porta e deu um golpe sobre o ombro.
Com um estrondo, Jurandir Barros caiu no chão, com o rosto contra o piso frio.
O Segurança de Leonardo pressionou as costas dele com um joelho e virou-lhe o braço com uma mão, deixando-o imóvel.
— Me solta! Eu chamo a polícia! — Jurandir Barros gritou de dor. — Solta—

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