Maria olhou para mim com um olhar humilde e ansioso.
Eu soltei a mão de Laís e me afastei alguns passos para o lado. Maria veio atrás de mim às pressas.
Eu falei com um tom frio e distante:
— Aquela casa já não é mais a minha. Eu já não tenho lugar nem direito de voltar para lá só por causa de um jantar.
Maria ficou imóvel onde estava.
Depois de alguns segundos em silêncio, a voz dela veio carregada de arrependimento, trêmula:
— Eu sei. Eu e o Jacarias fomos dois idiotas. A gente foi cego, acreditou na Mônica. Débora, você sempre foi uma boa menina, eu sempre soube disso aqui dentro. Mas, na hora, eu perdi a cabeça, desconfiei de você, machuquei você daquele jeito… Eu mereço tudo de ruim.
Antes que ela terminasse, ela levantou a mão para bater no próprio rosto. Eu ergui o braço e segurei o pulso dela. Meu rosto continuou impassível, mas a minha mente começou a ser arrastada, sem controle, para o passado.
O dia em que Sérgio e ela seguraram a minha mão e me levaram para dentro da família Lins; a primeira vez que eu menstruei, quando foi Maria quem teve paciência para me ensinar a usar absorvente; o dia em que eu fugi para brincar no meio do inverno, voltei com febre alta, e ela passou a noite inteira acordada ao lado da cama, cuidando de mim.
Todas essas lembranças pequenas e quentes rodavam sem parar dentro da minha cabeça.
Eu apertei o pulso dela e soltei um suspiro:
— Hoje à noite eu levo as crianças.
Maria ergueu o rosto de repente, os olhos cheios de vermelho, me encarando sem piscar.
Quando Thiago soube que eu pretendia levar a Rafaela para a casa da família Lins naquela noite, ele hesitou por um instante. Dava para ver que ele não queria dividir a mesma mesa com Jacarias e Maria. Mas, como eu já tinha concordado, ele acabou indo comigo.
O carro parou em frente ao portão da família Lins. As plantas que Sérgio tinha cultivado no jardim tinham perdido toda a antiga vitalidade, e o quintal estava tomado de galhos secos e folhas mortas.
Maria foi correndo abrir o portão. Ela se abaixou depressa para limpar a sapateira da entrada, como se quisesse deixar tudo em ordem num passe de mágica, e repetia o tempo todo:
— A casa está uma bagunça, vocês não ligam para isso, né?
Maria pediu para Jacarias lavar umas frutas para servir para a gente e, enquanto isso, foi direto para a cozinha, atarefada.
Depois, ela voltou o olhar cheio de carinho para Rafaela e começou a colocar ainda mais comida no prato dela. Em pouco tempo, o prato de Rafaela parecia uma pequena montanha.
Laís viu a cena e reclamou, com ciúmes:
— A vovó gosta mais da Rafaela. Colocou um monte de comida para ela!
Eu não segurei e repreendi Laís de leve:
— Nem na hora de comer você fecha essa boca.
Maria, aflita, começou a descascar camarão para Laís, com medo de que eu achasse que ela estava sendo injusta com as duas.
E foi assim, com cada um carregando a própria culpa e o próprio silêncio, que aquele jantar desceu atravessado.
Maria e Jacarias passaram a refeição inteira andando em volta de nós, cheios de cuidado, medindo cada gesto. Eu e Thiago, ao contrário, mal dissemos duas palavras. Quando terminamos de comer, Maria puxou discretamente a barra da minha blusa, pedindo com um gesto que eu a acompanhasse até o quarto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...