Quando ele desligou o celular, Thiago se virou e me viu parada não muito longe dali. O rosto dele, sempre tão sereno e bonito, se contraiu por um segundo, surpreso.
Comparado ao que eu tinha sido algumas horas antes, no hospital, eu já estava bem mais calma.
Eu perguntei em voz baixa:
— A Mônica perdeu o bebê, não é?
Thiago assentiu com a cabeça.
Eu olhei para ele, senti os olhos arderem, e falei com a voz embargada:
— Desculpa, Thiago. Eu ainda arrastei você para ter que limpar o meu desastre.
— Que besteira é essa? — Ele caminhou rápido até mim e, com o polegar, enxugou o canto dos meus olhos, tentando soar mais leve. — Advogado serve justamente para isso: resolver o problema quando tudo já deu errado.
Eu sabia que ele estava tentando me consolar, que ele não queria que eu me sentisse culpada.
Eu mordi o lábio e insisti:
— Eu não tenho medo de assumir o que eu fiz. Quando a situação do meu pai estabilizar, se for culpa minha, se tiver qualquer responsabilidade que seja minha, eu assumo tudo.
A expressão de Thiago ficou séria de repente. Ele me encarou fixamente, e a voz dele saiu firme, sem espaço para discussão:
— Nesta história, você não teve culpa nenhuma. Nem um pouco. Enquanto eu estiver aqui, você não vai responder por crime algum, e eu não vou permitir que ninguém coloque uma acusação sobre você. Entendeu o que eu falei?
As palavras dele caíram pesadas, irremovíveis. Eu encarei aqueles olhos profundos e decididos, e uma dor quente subiu pelo meu peito. No fim, eu apenas assenti em silêncio.
Mais tarde, eu adormeci encostada no peito dele, exausta.
O abraço dele era largo e seguro. Naquele momento, ele foi o único chão que eu ainda tinha.
Quando o dia começou a clarear, eu acordei.
Nós voltamos direto para o hospital. Os especialistas em neurocirurgia que Thiago tinha chamado ainda estavam a caminho. Por causa da distância, o hospital tinha avisado que só perto do meio-dia eles começariam a chegar.
Foi então que a porta da UTI se abriu de repente. O médico responsável saiu com o rosto tenso e falou:
— Quem são os familiares de Sérgio? O paciente entrou em parada cardiorrespiratória. Nós estamos tentando reanimar, mas vocês precisam se preparar para o pior.
Aquilo caiu sobre nós como um trovão. Todos ficaram paralisados.
Maria e Jacarias pareceram acordar de um transe. De repente, eles lembraram que ainda existia um Sérgio sendo disputado pela morte ali dentro.
Eles, enfim, pararam de me atacar. Por um segundo, eles esqueceram Mônica, esqueceram o bebê que tinham perdido.
Maria cambaleou até o médico, agarrou o braço dele com força e começou a chorar:
— Doutor, por favor, salva ele! Eu imploro, não o deixa morrer!
Enquanto ela dizia isso, ela já começava a se ajoelhar diante dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...