Eu assenti sem pensar, cheia de dúvidas, encarando Alice e esperando a explicação dela.
Alice levou a xícara de café aos lábios, tomou um gole e falou, com calma:
— Porque o que eu quero já não é mais o amor dele.
A frase veio tão de repente que eu fiquei sem reação. Por alguns segundos, eu nem soube o que responder.
Ela não queria o amor de Augusto? Então, em vez de seguir em frente e começar outra vida, por que ela tinha voltado para o lado dele?
Alice pareceu não querer se aprofundar naquele ponto. Ela mudou sutilmente de assunto e comentou, pensativa:
— Mas essa história do Augusto estar transferindo dinheiro escondido para a Mônica é realmente estranha. Pelo temperamento dele, ele nunca foi de fazer negócios em que sai perdendo, muito menos de dar dinheiro para quem já o fez de bobo.
Quando chegou nesse ponto, a voz de Alice ficou um pouco mais pesada:
— Então eu fico pensando se ele não está nas mãos da Mônica por algum motivo. Mas eu já mandei gente seguir a Mônica e o Jacarias por um bom tempo, e revisamos tudo várias vezes. Mesmo assim, ninguém encontrou nada de concreto.
Eu franzi a testa e falei:
— Eu penso igual a você. Com o jeito do Augusto, ele sempre paga cada ofensa na mesma moeda. A menos que a Mônica esteja segurando alguma coisa realmente séria contra ele, algo que possa arruinar completamente a vida dele, caso contrário, ele nunca engoliria isso calado.
Alice levantou os olhos para mim e me tranquilizou, com a mesma doçura de sempre:
— Fica tranquila. Eu vou continuar mandando investigar. Por mais bem escondida que essa sujeira esteja, uma hora ou outra algum fio solto vai aparecer.
Eu não respondi. Apenas continuei observando Alice com atenção.
Sempre que ela falava de Augusto, os olhos dela permaneciam claros, imóveis, como um lago sem vento. Não havia amor ali. Não havia saudade. Nada. Aquilo era estranho demais.
Um pensamento surgiu, cortante, dentro de mim, e eu perguntei sem conseguir me segurar:
— Você… odeia o Augusto, não é?
Aquela ansiedade estranha, que eu não sabia nomear, veio como uma chuva de agulhas finas, espetando o meu coração uma a uma, sem me deixar em paz.
…
O carro saiu da garagem em movimento constante.
Os dedos de Alice se fecharam de leve em volta do volante, e um sorriso discreto apareceu no canto dos lábios dela. Ela e Débora nunca tinham morado juntas e, na verdade, desde pequenas as duas nem sabiam da existência uma da outra.
Mesmo assim, o alerta e a preocupação de Débora momentos antes tinham aquecido o coração de Alice.
Ela percebeu que o laço de sangue era algo realmente gravado nos ossos e no sangue. Por mais que a vida tivesse separado as duas por montanhas e oceanos, ainda assim nascia entre elas uma cumplicidade silenciosa, uma afinidade que dispensava explicações.
Alice ainda nem tinha conseguido saborear direito esse calor de família que brotava, tímido, dentro dela.
De repente, o toque insistente do celular ecoou pelo interior do carro, cortando seus pensamentos no meio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...