Eu ainda pensava na situação da Rafaela quando Dona Joana entrou apoiada na bengala e falou:
— Débora, você anda saindo cedo e voltando tarde todos os dias. Agora que finalmente tem um pouco de tempo para descansar, ainda vem para a cozinha fazer comida para mim. É melhor você aproveitar para descansar de verdade, senão vai acabar se esgotando.
Eu deixei um sorriso leve aparecer no rosto e respondi:
— Para mim, ficar aqui com a senhora e preparar uma comida gostosa já é descanso. Eu não me canso com isso. Quem se cansa é a senhora, que fica em casa cuidando da Laís e da Rafaela por mim.
Nesse momento, a voz de uma das funcionárias veio da porta:
— Dona Joana, a Rebeca chegou.
A colher parou na minha mão, e meu coração deu um leve sobressalto.
"Rebeca? O que ela veio fazer aqui a essa hora? Será que trouxe a Rafaela?" Pensei.
Quando Dona Joana ouviu aquele nome, o sorriso no rosto dela desapareceu, e as sobrancelhas se franziram imediatamente.
As pequenas armações recentes de Rebeca, aquelas atitudes nada elegantes que ela vinha tomando, já tinham se espalhado por todo o círculo social. É claro que Dona Joana também tinha ouvido falar, e a boa vontade que antes nutria por Rebeca praticamente havia desaparecido.
Mas Dona Joana vinha de uma família tradicional. Valorizava profundamente a etiqueta. Mesmo sem desejar a presença de Rebeca ali, não perderia a compostura. Então ela apenas disse:
— Deixem-na entrar.
Em seguida, Dona Joana segurou de leve meu pulso, chamou outra funcionária para assumir o que eu fazia na cozinha e sussurrou para mim:
— Ela aparecer aqui a essa hora provavelmente tem a ver com o Thiago. E é bem possível que queira almoçar aqui também. Eu não vou permitir que você fique como uma cozinheira de fazenda, servindo comida para ela.
A maneira protetora, e levemente teimosa, de Dona Joana me deu vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Eu a acompanhei até a sala de estar.
Rebeca já tinha sido conduzida para dentro pela funcionária. Sua produção e maquiagem continuavam caras e exageradas, mas, diferente do habitual, não pareciam tão meticulosamente calculadas.
Quando me viu, um traço de desconforto passou rapidamente pelo olhar dela. Logo depois, Rebeca retomou sua habitual expressão de superioridade. O olhar passou por mim como se eu fosse invisível e se voltou diretamente para Dona Joana:
— Essa é para a Laís. — Explicou ela. — Vi que muitas meninas estão apaixonadas por esse modelo.
Fiquei surpresa. Realmente não esperava que ela tivesse trazido um presente para Laís.
A testa de Laís se franziu imediatamente. Seu olhar ingênuo ia e voltava entre mim e Rebeca, sem saber se deveria aceitar.
Rebeca curvou levemente os lábios, num sorriso que não alcançava os olhos, e dirigiu-se a mim:
— Débora, talvez exista algum mal-entendido entre nós, mas você não precisa achar que o mundo inteiro é sombrio. Eu só trouxe um presente para ela por educação.
Eu sustentei o olhar dela por um instante e, em seguida, virei-me para Laís e fiz um leve aceno afirmativo com a cabeça.
Com a minha permissão, Laís finalmente pegou a caixa com cuidado. Levantou o rostinho, ainda tímida, e falou baixinho:
— Obrigada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...