O arrependimento do Augusto, naquela época, quase tinha engolido ele por completo.
Quando ele tinha ficado com a Alice, ele ainda não era esse homem frio e contido que ele dizia ser depois que tinha se convertido.
Ele tinha crescido como herdeiro mimado de uma família rica, acostumado a todo mundo girar ao redor dele. Era natural que ele quisesse que a mulher ao lado dele também vivesse para agradar ele, concordar com ele, seguir o jeito dele.
Mesmo gostando da Alice de um jeito quase doentio, o Augusto jovem, cheio de sangue quente, não tinha conseguido mudar o orgulho e a dureza que ele carregava na essência. Por qualquer coisinha à toa, ele batia boca com ela, precisava provar que ele estava certo, que ela estava errada, e não cedia um passo.
Até o dia em que a Alice, totalmente no limite, tinha olhado bem para ele e tinha pedido o fim.
Os dois tinham discutido sem parar em plena avenida lotada, com o trânsito engarrafado. A Alice tinha juntado toda a força que ela ainda tinha, tinha arrancado de uma vez a mão do Augusto que segurava o braço dela e tinha virado as costas, decidida a ir embora.
Ninguém tinha previsto que, naquele exato instante, um carro ia vir em alta velocidade, bem de frente.
O Augusto tinha assistido, sem conseguir se mexer, o corpo frágil da Alice ser arremessado e cair pesado no asfalto, mergulhado em sangue. Aquele vermelho absurdo tinha virado o pesadelo que ele carregaria pelo resto da vida.
Quando a Alice tinha acordado do coma e tinha escutado que, além de nunca mais voltar a andar, ela também tinha perdido para sempre a chance de ser mãe, aquela musa fria e brilhante, a estudante admirada por toda a universidade, tinha desmoronado de vez.
Dentro dela, só tinha sobrado um único pensamento: Acabar com tudo.
Os médicos tinham diagnosticado a Alice com transtorno bipolar, em outras palavras, uma alternância cruel entre depressão e surtos de euforia, em que, durante as crises, ela ficava irreconhecível, como se estivesse louca.
Para impedir que ela se machucasse ou tentasse se matar, o Augusto tinha comprado, no exterior, uma clínica psiquiátrica inteira só para manter a Alice em tratamento.
Ele tinha contratado uma equipe médica completa, dedicada exclusivamente a ela, um time inteiro para cuidar de uma única paciente.
Quando os médicos tinham dito que ela não poderia mais engravidar, ele tinha respondido, sem pensar duas vezes, que ele não precisava de filhos.
Para provar para a Alice que, mesmo ela não podendo ter filhos, eles ainda podiam ter uma família, ele tinha corrido para armar um casamento às escondidas com a Débora e, pouco tempo depois, tinha nascido a Laís.
Desde pequena, a Mônica nunca tinha conseguido chegar perto do brilho da irmã. E agora ela via, com os próprios olhos, um homem bonito, rico e bem-nascido ficar do lado da Alice até mesmo naquele cenário de tragédia. A inveja dela tinha atingido um nível quase insuportável.
O Augusto tinha se emocionado de verdade. Ele tinha passado a confiar naquelas duas sem reservas, entregando a Alice e a pequena Laís para os cuidados delas.
Na cabeça da Mônica e da Manuela, a Alice podia ter um QI altíssimo, mas o coração dela era simples demais.
A Alice tinha realmente acreditado nas duas. Tinha sentido gratidão. Tinha tratado as duas como mãe e irmã de verdade.
A Mônica, então, só tinha esperado o dia em que o Augusto fosse se cansar da Alice, sem mais paciência para aquele peso.
Mas o que ela não tinha imaginado era que, ao longo de todos aqueles anos, o Augusto só tinha vivido praticamente em ponte aérea entre a Cidade H e a Inglaterra. Sempre que ele conseguia um pouco de tempo, ele corria para ficar com a Alice.
Pela Alice, ele tinha sido capaz de virar vegetariano, viver em abstinência. Pela Alice, ele tinha sido capaz de se casar com a Débora.
E, pela Alice, ele também tinha sido capaz de armar outra mentira, mandando os médicos falarem para ela que o quadro dela nunca tinha melhorado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
So o meu ou de vocês também tão com capítulo recortado ? Tipo está em uma situação e no outro capítulo muda o cenário sem contexto nenhum...
A autora podia voltar a liberar 5 capitulos por.dia.Estou curiosa para saber do Thiago...
Que legal achar que exite um motivo que justifique uma agressão,...
Alguem chegou no cap 830? Fiquei bem chateada. A autora que me desculpe, mas o Deborah ja sofreu demais, por mim. Ja podia dar o fim da historia...
Débora para de ser sonsa,reage mulher.....
Débora tá muito mosca morta,tem que reagir e para com essas atitudes infantis tá ficando cansativo já.....
Sério desculpe autora sua escrita é até boa pq a história prende, mas tem que saber a hr de parar... e tbm fazer uns homens mas maduros nesse enredo aí.Tds os relacionamentos do livro são tóxicos a ponto de achar que não terá um final muito bom cara... Acho que o único melhorando na história é o Mathias, isso pq não teve capítulo de interação sobre o relacionamento dele e da Nathalia. Pq pelo que vi nenhum aí tá prestando. Td gira em torno de traição e usar as mulheres......
Alguém sabe me dizer se a Débora ficou com o Tiago pq sinceramente eu já não consigo prever o desfecho e to ficando nervosa...
Alguém tem capítulos após o 796 pra ler ? Aqui ainda não liberaram de forma gratuita pra mim após esses...
Não o que é pior,a Débora ta pior que curva de rio,só se lasca. Na história eu imagino o Augusto um homem irresistível e casaste do tipo que infelizmente as mulheres gostam.Ja o Tiago é tipo come quieto. Kkk Eu tô ansiosa pra saber a história da Rafaela, se ela é a filha da Mônica com o Jacarias ou se é a filha da Débora que a Mônica pode ter trocado ....