O resto da frase ela não completou, mas o que ficou subentendido doeu mais do que qualquer acusação dita em voz alta.
Eu curvei levemente os lábios num sorriso de puro deboche de mim mesma e, de repente, senti que eu estava exatamente na posição de um azar que ninguém queria por perto, como se eu fosse um tipo de praga que todo mundo evitava.
Depois que a Lorena entrou no carro e foi embora, eu praticamente fugi do escritório.
No carro, eu disquei o número da Natália. Assim que ela atendeu, a voz dela já veio carregada de ódio:
— Isso com certeza foi a Mônica, aquela desgraçada! Por que ela simplesmente não desaparece do mapa?
Eu segurava o volante e encarava o trânsito travado à minha frente, com a sensação de ter uma pedra enorme esmagando o meu peito.
Só depois de um tempo eu consegui puxar o ar mais fundo e, tentando manter a voz firme, falei:
— Natália, faz um favor pra mim. Leva a Laís e a Rafa pra minha casa. Você sabe a senha da porta. Eu chego mais tarde.
— Pra sua casa? — Natália parou por um instante, claramente surpresa. — Não era pra levar elas pra casa da família Ribeiro?
— Do jeito que as coisas estão, quanto mais longe eu ficar da família Ribeiro, melhor.
Eu soltei uma risada sem graça, com um cansaço que eu não conseguia esconder na voz.
A família Ribeiro já estava no olho do furacão. Se eu continuasse ali, eu só ia botar mais lenha na fogueira.
— Entendi… — Natália respondeu, transbordando preocupação. — Fica tranquila com as crianças, eu cuido delas. Você se cuida também, tá?
Quando eu finalmente cheguei à casa da família Ribeiro e empurrei o portão, a empregada veio correndo na minha direção, aflita:
— Ainda bem que você chegou, Débora! Dona Joana tava num encontro com as amigas à tarde e, quando ficou sabendo das notícias, desmaiou na hora. Até agora ela não levantou da cama.
Meu estômago afundou, e a culpa explodiu dentro de mim.
Eu fui quase correndo até o quarto da Dona Joana. Ela estava deitada, muito pálida.
Eu me aproximei da cama, segurei a mão dela e, com a garganta travada, mal consegui falar:
Só que a essa altura, o assunto já tinha dominado a internet. Aquela enxurrada de comentários nojentos se espalhava como vírus. Mesmo que o Thiago voltasse, o que exatamente ele poderia fazer? Quem conseguiria calar uma multidão? Quem é que aguenta brigar com algo que todo mundo chama de “liberdade de expressão”?
A mão da Dona Joana era quente, mas o meu coração doía como se alguém estivesse passando uma lâmina por dentro.
Naquele instante, eu tive certeza de uma coisa: eu tinha perdido qualquer chance de ser, algum dia, a mulher do neto dela.
Eu não podia arrastar junto a única pessoa daquela casa que sempre me tratou com tanto carinho. E eu também não podia deixar o Thiago carregar, por minha causa, a marca de “incesto” pro resto da vida.
— Vó. — Eu respirei fundo, engolindo as lágrimas que queriam cair. — Eu não posso mais morar aqui. A senhora precisa cuidar da sua saúde e não perder o sono por minha causa. Quando essa confusão toda passar, eu… Eu venho visitar a senhora.
Eu falei como se estivesse propondo algo simples, mas só eu sabia que esse “venho visitar” era quase uma mentira delicada.
Quando eu saísse por aquela porta e cortasse de vez o vínculo com a família Ribeiro, não ia sobrar motivo nenhum pra eu voltar.
Só assim o nome do Thiago ia ficar limpo. Só assim os boatos iam, aos poucos, perder a força.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...