Ele estava meio recostado na minha cama, inclinou-se para tocar minha testa e perguntou:
— Está se sentindo melhor agora?
Eu o encarei, lutando contra o ardor em meus olhos.
Aquele rosto finalmente se sobrepunha à última imagem do meu sonho: já não era mais o Augusto que eu conhecia.
Talvez porque ele tenha percebido o brilho de lágrimas que ameaçavam escapar dos meus olhos, Augusto falou com uma suavidade incomum:
— Eu sei que desta vez você sofreu muito. Vou contar para Laís que foi você quem a salvou.
Eu curvei os lábios num sorriso de escárnio e perguntei:
— Isso importa?
O olhar profundo e intenso dele encontrou o meu. Augusto respondeu, palavra por palavra:
— Importa.
Eu não entendia o que havia de tão importante nisso. Eu quase morri várias vezes por causa das transfusões para salvar Laís. E tudo isso era para ganhar um simples agradecimento?
Mas eu ainda estava sendo boa demais ao pensar em Laís, a filha de Augusto e Mônica. No fim das contas, o sangue que doei nesses últimos dias não valia nem um “obrigada” dela.
Quando Mônica soube que eu tinha acordado, ela trouxe Laís até o meu quarto.
Augusto, ao saber da visita, imediatamente se levantou da cama e arrumou as roupas, como se o que houvesse entre nós fosse algo proibido, um caso clandestino que não podia vir à luz.
Mônica trouxe Laís até mim e, com sua habitual postura de mulher sensata e educada, disse diante de Augusto:
— Augusto, eu trouxe a Laís para agradecer à Débora. Ela é a salvadora da Laís, a segunda mãe dela.
Augusto pareceu satisfeito com a atitude de Mônica e assentiu, esperando que Laís dissesse algo em agradecimento.
Mas, para surpresa de todos, a menina me olhou como se eu fosse sua pior inimiga e disparou:
— Por que eu deveria agradecer a ela? Quando eu estava doente, foi a mamãe que cuidou de mim, contou histórias para mim e me colocou para dormir. O que essa mulher má tem a ver com isso? Eu não quero agradecer a ela!
— Laís, o que eu te ensinei? — Mônica perguntou com uma voz que soava preocupada, fingindo “educar” a filha. — Eu não disse que devemos ser gratas às pessoas que nos ajudam?
Ele se abaixou, olhou para a filha com carinho e respondeu em um tom gentil:
— Querida, volte com a mamãe para o quarto. Eu já vou ficar com vocês, está bem?
Só então Laís, contrariada, seguiu Mônica para fora do quarto.
Depois que elas saíram, Augusto me olhou e disse:
— Não culpe a Laís. Ela ainda é apenas uma criança. Não entende as coisas direito. Eu vou ensinar isso a ela com o tempo.
Ah, essa frase de novo! Sempre diziam que ela era apenas uma criança!
Mas crianças dessa idade entendiam muito bem as coisas, principalmente como lutar pelos interesses delas e das mães.
Na verdade, eu estava tão cansada dessa família que nem tinha mais energia para discutir ou brigar. Só queria que eles desaparecessem da minha vista, para que eu pudesse ter um pouco de paz.
Ignorando o que ele havia dito, perguntei com frieza:
— Agora que sua filha não precisa mais do meu sangue, você pode devolver meu celular?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...