Eu encarei o olhar dele e respondi, num tom tão calmo que não tinha mais nenhuma ondulação:
— Foi você que saiu do meu mundo primeiro.
Mal eu terminei de falar, o som de um salto alto ecoou lá da escada.
Mônica apareceu, subindo degrau por degrau. Ela estava maquiada com todo capricho, o visual inteiro calculado nos mínimos detalhes. Não era à toa que ela tinha demorado tanto pra chegar.
Mas, assim que ela viu os sinos de vento e todos aqueles objetos antigos espalhados pelo sótão, a expressão dela congelou. Ela entendeu na hora que aquele era o cenário do meu passado com o Augusto.
O canto da boca de Mônica tremeu de leve, quase imperceptível, e um lampejo de ódio cruzou os olhos dela antes de sumir.
Ela olhou direto pra mim e perguntou:
— Débora, você me chamou aqui pra eu ver o quanto ele ainda ama você? Pra esfregar na minha cara de quem ele é?
Eu achei aquela reação dela quase engraçada.
— Não perco meu tempo com coisa assim. Eu te chamei pra você tirar ele daqui. Se você demorar muito, eu posso até mudar de ideia e resolver deixar ele aqui comigo.
Assim que eu disse isso, o rosto de Mônica se contraiu de tensão, como se ela tivesse medo de ver a presa escapar das mãos.
Ela correu até Augusto e agarrou o braço dele:
— Augusto, por que você bebeu tanto assim? Chega, para com isso. Eles já deixaram claro que querem que a gente vá embora. Vem, eu te levo pra casa, tá bem?
Augusto arrancou o braço com um tranco tão forte que quase derrubou Mônica no chão.
Ele me encarou uma última vez. No olhar dele havia de tudo: decepção, frustração, uma ferida aberta.
Depois, ele virou as costas sem dizer mais nada, se apoiando na parede e descendo a escada aos tropeços.
Mônica me lançou um olhar cheio de veneno e saiu correndo atrás dele.
Assim que esse pensamento surgiu, ele se espalhou pela mente dela como trepadeira, se enrolando em cada fresta do coração.
Se ela tivesse um filho dele, mesmo que ele não amasse ela, por causa da estabilidade do Grupo Moretti, por medo de um escândalo estourar, ele ia ser obrigado a assumir.
E, quando isso acontecesse, dinheiro, contatos, projeção, status — tudo aquilo que ela sempre quis estaria ali, ao alcance da mão. A partir daí, Augusto não ia conseguir se livrar dela tão facilmente.
No fim das contas, ele jamais deixaria que ela aparecesse grávida em público, detonando a imagem da família Moretti e a reputação que ele tinha construído.
Pra enterrar o escândalo, ele teria que se deixar manipular.
Um sorriso frio e fino surgiu no canto da boca de Mônica enquanto ela encostava o carro na frente de uma farmácia 24 horas.
Ela virou a cabeça pra conferir se Augusto continuava apagado. Quando ela teve certeza de que ele não dava nenhum sinal de acordar, ela abriu a porta e entrou apressada.
Ela já tinha ouvido dizer que homem bêbado, muitas vezes, não conseguia transar. Então, ela só tinha uma saída: recorrer a um “Viagrazinho” pra dar uma forcinha pro desempenho dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...