No instante seguinte, uma sequência de passos apressados e descompassados ecoou do fim do corredor, e a porta do quarto se escancarou com um estrondo.
Augusto entrou praticamente arremessado pra dentro, com o paletó jogado de qualquer jeito sobre o braço, a gravata torta, o cabelo — sempre impecável — todo bagunçado, grudado na testa suada.
— Débora, como é que a sua mãe tá agora?
Ele veio direto na minha direção, ofegante, com uma urgência desesperada na voz, diferente de tudo o que eu já tinha ouvido dele.
Eu continuei como se ele nem estivesse ali. Eu permaneci agachada ao lado da cama, segurando a mão gelada da minha mãe e encostando devagar os dedos frios dela no meu rosto. Era o mesmo gesto de quando eu ficava doente na infância, e ela colocava a palma quente na minha testa, espantando o medo.
Agora, porém, aquela mão estava dura, fria como gelo. Ela já não tinha mais como me aquecer.
O olhar de Augusto foi parar no monitor cardíaco, na linha quase reta ocupando a tela. Em seguida, ele encarou meus olhos inchados de tanto chorar e o rosto completamente apagado da minha mãe.
Ele ficou paralisado, como se alguém tivesse cravado os pés dele no chão. A agitação do rosto dele congelou de uma vez, dando lugar a um choque mudo.
— Augusto, por que você não morre no lugar dela?
Natália disparou pra cima dele, agarrando o terno dele com toda a força.
A voz dela veio cortada pelo choro, carregada de ódio em cada sílaba:
— Foi por sua causa! Tudo isso é culpa sua! Você veio aqui pra quê? Pra conferir o resultado do que você fez? Pois olha bem: você conseguiu! Você conseguiu destruir a Débora, fazer ela sentir uma dor que não tem nome! Tá feliz agora? Você venceu!
Augusto empurrou Natália para o lado num gesto brusco e estendeu a mão pra mim:
— Débora, não faz isso com você mesma! A gente vai falar com o médico. Eu já entrei em contato com uma equipe de fora do país. Deixa eles tentarem reanimar a Bianca primeiro, por favor…
— Chega!
— Some daqui! — Maria avançou como uma leoa, arrancando ele de perto de mim com um puxão. Ela apontou o dedo na cara dele e disparou, sem medir palavra. — Seu desgraçado, você ainda acha que tem o quê pra explicar? Foi você que destruiu a vida da Débora, foi você que matou a Bianca! Era melhor se a Débora nunca tivesse te conhecido, nunca tivesse se envolvido com você! Dá o fora daqui agora! Aqui não é lugar pra você, e nunca mais vai ser!
Eu continuei sem olhar na direção de Augusto. Eu apenas trouxe de novo a mão da minha mãe até o meu rosto, tentando guardar o pouco de calor que ainda restava nela.
Sérgio ficou ao meu lado, firme, como se ele fosse uma barreira de concreto entre mim e Augusto, bloqueando qualquer tentativa dele de chegar perto.
Os olhos dele estavam tão vermelhos quanto os meus, mas ele ainda segurou a própria dor dentro de si e falou com uma gravidade baixa, contida:
— Augusto, vai embora. Deixa a mãe da Débora partir em paz. E poupa a si mesmo de passar mais vergonha do que você já passou hoje.
Assim que Sérgio terminou de falar, o monitor ao lado da cama emitiu um apito agudo, contínuo, gelando o ar do quarto.
Aquela linha que ainda oscilava, quase imperceptível, se endireitou de vez, transformando‑se em um traço reto, absoluto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...