Demétrio soube da situação e certamente elogiaria sua habilidade de se expressar.
Késia, sem compreender as intenções de Mário, ficou entre o riso e o constrangimento.
Que comparação absurda era aquela?
Pelo que sabia, o irmão mais velho de Mário se chamava Antonio Duarte, legítimo herdeiro de uma família tradicional, um verdadeiro prodígio.
Ela jamais ousaria almejar algo tão alto.
Antes do início oficial do jantar, os convidados se reuniam no salão de entrada. Todos os presentes eram figuras de destaque em diversos setores, e, independentemente do grau de intimidade, todos exibiam sorrisos calorosos e falsos.
Com a posição social de Mário, naturalmente muitos se aproximaram para cumprimentá-lo e fazer um brinde.
Késia, percebendo a situação, recolheu-se discretamente a um canto.
De repente, a entrada tornou-se mais movimentada.
Mais um grupo adentrou o local e, ao lançar um olhar, Késia apertou com força a taça de vinho em sua mão.
Ela viu Geovana e Arnaldo.
Naquela noite, eles vestiam trajes combinando. Geovana trajava um vestido bordado com brilhos, com os cabelos presos em um coque baixo e elegante, parecendo ter saído de uma aquarela brasileira.
Arnaldo usava um terno de corte moderno com detalhes bordados semelhantes aos do vestido de Geovana. Sua aparência era destacada e os traços suaves, e o traje lhe caía perfeitamente.
No entanto, o que realmente fez Késia mudar de expressão foi a entrada do casal Celso e Veridiana junto com eles!
Seu olhar fixou-se intensamente no rosto de Celso.
Vinte anos haviam se passado…
Finalmente ela voltou a ver aquele “bom pai” que abandonara esposa e filha, apropriando-se dos bens da ex-mulher.
Na verdade, ele pouco mudara em relação às lembranças. Dinheiro e poder eram o melhor elixir da juventude para um homem.
Celso vestia um terno impecável, aparentando elegância e charme.
Sim, mesmo com aquela idade, ele ainda podia ser considerado atraente. Continuava a viver de forma exuberante, enquanto a mãe de Késia já jazia há tempos em um caixão gelado, reduzida a ossos.
O ódio corrosivo e profundo quase fez os olhos de Késia arderem de raiva.
No meio da multidão, Celso pareceu perceber algo também. Vasculhou o salão com o olhar, até encontrar Késia!
Quando seus olhares se cruzaram, Celso demonstrou espanto, mas logo em seguida desviou o olhar friamente, ignorando completamente a filha que não via há vinte anos! Em vez disso, ajeitou carinhosamente os cabelos de Geovana ao seu lado.
“Olhar fixamente para o ex-marido assim... Parece que a Sra. Cardoso ainda não superou Arnaldo, não é?” Uma voz masculina, irônica e aveludada, soou de repente.
Késia recuperou-se e, ao levantar os olhos, viu a figura de Givaldo Soares diante de si.
Naquele dia, sendo o aniversário de Raimundo, era natural que o neto mais velho estivesse presente.
Ele achava que ela estava observando Arnaldo...
“Olha só, está quase chorando.” Givaldo notou o avermelhado nos olhos de Késia, sem deixar de semicerrar os olhos.
Ora, chorando, esse rosto ficava ainda mais bonito.
Ao ouvir seu nome, Givaldo olhou para trás e viu o Sr. Guerra aproximando-se, acompanhado da família Correia.
Ele fixou o olhar em Arnaldo por um instante, com um brilho frio e discreto no olhar.
Geovana e Arnaldo, por sua vez, dispensavam apresentações.
O Sr. Guerra estava prestes a apresentar Celso: “Este é...”
“Sr. Correia, eu sei quem é.” Givaldo cumprimentou cordialmente, estendendo a mão. “Meu avô pediu que eu acompanhasse o senhor e a Sra. Correia até o escritório dele.”
Givaldo não falou alto, mas todos ao redor prestaram atenção.
Ser recebido por Raimundo antes da festa era um privilégio raro... Os olhares ao redor, além de curiosos, agora demonstravam ainda mais respeito.
Geovana pareceu especialmente satisfeita com aqueles olhares. Ergueu o pescoço esguio, mantendo um sorriso elegante e reservado.
“Arnaldo, vou com meu pai cumprimentar o Sr. Raimundo.” Ela falou num tom suave, quase manhoso, chamando-o carinhosamente de Sr. Raimundo. Em seguida, ajeitou a roupa de Arnaldo e recomendou: “Seu estômago não está bem, evite beber muito.”
O olhar de Arnaldo era de pura ternura: “Sim, vá logo, não deixe Raimundo esperando.”
Assim, eles demonstraram publicamente seu afeto.
Givaldo lançou um olhar discreto na direção de Késia, mas percebeu que ela havia sumido.
Levantou as sobrancelhas, lembrando-se dos olhos vermelhos de Késia momentos antes.
Talvez tivesse ido se esconder para chorar em segredo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois da Tempestade, Chegou Meu Sol
Boa noite. Estou lendo o livro Depois da tempestade, quando tento comprar aparece uma nota dizendo para tentar mais tarde. Isso é muito incoveniente....