Ao empurrar a porta do camarote e entrar com a criança nos braços, todos presentes mostraram expressões diversas. Especialmente a mulher parceira de negócios, que ficou visivelmente chocada. Ao ver Sérgio, era como se tivesse avistado uma figura importante. Jamais imaginaria que eles conheciam a família Amorim.
Samuel ficou um pouco surpreso ao ver Davi com uma criança nos braços, mas, ao perceber que era Sérgio, logo entendeu. Com um tom familiar, disse:
— Como você encontrou o Sérgio?
Se levantou e cedeu o assento para que eles passassem.
Depois de se sentar novamente, Davi acomodou Sérgio no colo, sem qualquer intenção de deixá-lo sentado sozinho. Sérgio, por sua vez, estava muito satisfeito em ficar no colo do tio Davi.
Com receio de que Sérgio estivesse com fome, Davi usou um garfo para pegar algo e oferecer à criança, pedindo ainda ao garçom que trouxesse um garfo limpo.
Após organizar tudo, ele finalmente respondeu a Samuel, que estava ao seu lado:
— O encontrei por acaso enquanto atendia o telefone.
Não entrou em mais detalhes, e Samuel não insistiu, voltando a conversar com os parceiros de negócios.
Fazer negócios com estrangeiros era realmente difícil. Além do preconceito racial, ainda havia a constante pressão para reduzir os preços. Porém, Samuel ficou surpreso ao perceber que, desde que Sérgio entrou no camarote, as negociações começaram a fluir muito mais facilmente.
"Esse Sérgio é mesmo um pequeno amuleto de sorte!" Pensou.
Enquanto isso, Sérgio permanecia sentado tranquilamente no colo de Davi, saboreando as comidas que lhe eram oferecidas, até encher sua barriguinha redonda.
Em outro camarote, Selma e Frâncio haviam acabado de chegar e estavam organizando os pedidos com os garçons.
Selma perguntou:
— Onde está o Sérgio?
Laura, que estava com Aarão, levantou a cabeça e só então percebeu que Sérgio já estava fora há um tempo. Mas, como ele frequentemente conversava com os garçons dali, não achou estranho e respondeu:
— Ele foi ao banheiro. Deve estar voltando logo.
Selma concordou com um aceno de cabeça.
Depois de algum tempo, os pratos começaram a chegar, mas Sérgio ainda não havia voltado.
Laura franziu o cenho.
— Vou procurá-lo.
— Não precisa. — Letícia se levantou abruptamente e a interrompeu, com o olhar um pouco evasivo. Todos a encararam, confusos.
Letícia soltou uma risada nervosa.


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