Samuel assentiu com a cabeça, sem demonstrar reação; ele não se deixava levar pelas gentilezas de Valentina.
Os dois nunca tiveram uma relação muito próxima.
Caminhavam lado a lado em silêncio pelo corredor, coberto por um tapete que abafava qualquer som de seus passos, tornando o ambiente levemente constrangedor.
Samuel foi o primeiro a romper o silêncio:
— Como está sua recuperação? Você parece um pouco fraca, está suando na testa. Até que seu corpo esteja totalmente recuperado, o melhor é se alimentar bem, descansar bastante e evitar se cansar demais.
Embora ele não tivesse muita simpatia por Valentina, não podia ignorar o fato de que ela era a "deusa" de Davi.
Se algo acontecesse com Valentina, Davi certamente colocaria a culpa nele, o diretor do hospital.
E, no final, ele é quem acabaria ficando depois do horário para resolver tudo.
Davi era assim, especialmente quando se tratava de sua mulher: irracional, sem limites em sua devoção.
Só esperava que Valentina tivesse um pouco de bom senso e não torturasse seu corpo já debilitado e desnutrido.
Ela não havia se recuperado completamente e já estava saindo por aí, o que ele desaprovava bastante.
Valentina respondeu friamente:
— Obrigada pela preocupação, estou bem. Estou suando porque lá fora estava abafado.
"Suor causado pelo calor lá fora é compreensível, mas aqui dentro tem ar-condicionado... e ela ainda está suando?"
Samuel arqueou uma sobrancelha, percebendo que Valentina estava mentindo, mas optou por não prolongar a conversa e continuou andando.
Eles seguiram juntos até a porta do quarto de Davi e pararam.
À esquerda do quarto de Davi ficava o quarto de Samuel, e à direita, o de Valentina.
Estava claro que ambos queriam falar com Davi.
Trocaram um olhar, mas nenhum dos dois tomou a iniciativa de falar ou bater na porta.
Na sala de estar, Davi estava sentado no sofá, com um pequeno espelho sobre a mesa à sua frente, ao lado de alguns itens médicos.


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