— Mamãe, Papai prometeu que viria nos encontrar hoje — Gia resmungou, seus olhos azuis cheios de esperança inocente enquanto olhava para Mia.
— Querida, Papai pode estar ocupado no escritório — Mia acalmou gentilmente, seus dedos passando pelos cabelos loiros e macios de Gia.
— Mas você disse que ele viria se jantássemos na hora certa. Agora o jantar acabou, e ele ainda não veio — Gia reclamou, seu rostinho formando um bico de decepção.
Mia suspirou, franzindo a testa enquanto olhava para sua filha. Ela não conseguia entender por que Alessandro não tinha aparecido. Ele nunca quebrava suas promessas, especialmente não para Gia e Maximo. O que poderia tê-lo mantido tão ocupado? Ela pensou em ligar para ele, querendo saber, mas hesitou ao pensar que poderia estar se metendo em seus negócios.
Após o incidente angustiante de ontem, Mia lutava com pensamentos conflitantes sobre a presença de Alessandro na vida de seus filhos. Enquanto eles ansiavam por uma figura paterna, ter alguém como ele por perto também significava viver sob uma constante sombra de perigo e ameaças à sua segurança.
— Eu vou ligar para ele — Gia declarou teimosamente.
— Querida, não... — Mia tentou impedi-la, mas Gia não esperou e pegou o telefone da mesa de cabeceira, discando o número de Alessandro. O telefone continuou a tocar, e Gia esperou com esperança no coração. Após vários toques, Alessandro finalmente atendeu o telefone.
— Alô?!
O rosto de Gia se iluminou ao ouvir a voz profunda de Alessandro.
— Papai! — ela chamou em voz alta com empolgação. Apesar de estar ao telefone e precisar falar baixo, sua animação transbordou.
— Gia! Querida, por que você ainda não está na cama? — Alessandro perguntou, franzindo a testa e verificando seu relógio de pulso.
— Papai, você prometeu que viria me ver hoje e que conversaríamos muito — Gia reclamou, sua decepção evidente.
— Querida — Alessandro suspirou, esfregando a testa —, estou ocupado com o trabalho.
— Mas você prometeu — Gia insistiu.
— Eu sei, Gia, mas o trabalho é importante — Alessandro respondeu bruscamente.
Gia recuou com a dureza em sua voz. Ela não esperava que seu papai falasse com ela assim. Ela era sua princesa, um pedaço de seu coração. Como ele poderia ser tão distante?
— Papai... — Sua voz tremia, lágrimas se acumulando em seus olhos inocentes. — Eu... Eu estava com saudades de você — ela sussurrou suavemente, suas palavras carregando o peso da saudade.
O coração de Alessandro se contraiu de dor. Ele se amaldiçoou por magoar sua princesa. Ele também ansiava tanto para dizer a ela o quanto sentia falta dela, mas não podia. Estava tentando ser duro com ela para que pudesse esquecê-lo. Ele era um perigo vivo na vida de Gia e Maximo, e não suportaria se algo acontecesse a eles por sua causa. Então, decidiu cortar os laços e manter distância daqueles a quem amava mais do que sua própria vida.
— Gia, eu tenho que ir. Tenho trabalho. E não me ligue toda hora, está bem? — Sua voz foi cortante enquanto ordenava impiedosamente.
Ele sabia que suas palavras a machucariam e que ela poderia já estar soluçando, e o pensamento perfurou seu coração.

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