— A verdade é que ninguém me contratou na época. — Ruan disse de olhos vermelhos. — E não sei como a Helena descobriu, mas ela veio falar comigo. Disse que se eu entregasse a sua pesquisa, ela me dava uma vaga na Zenith. Eu precisava mesmo de um lugar, então eu...
Quando Alana ouviu isso, seu coração deu um pulo.
— Me desculpa, Alana. — Ele abaixou a cabeça cheio de vergonha. — Eu te deixei na mão.
Alana não disse nada e ficou sem expressão.
Era mentira se dissesse que não ficou chateada, mas ela tentou ser grande: — Tudo bem. Quando eu entreguei essas coisas, foi para ajudar a pesquisa. A Helena manda muito bem, se ela usou como referência... não tem problema.
Ruan negou com a cabeça e ficou irritado: — Quando dei isso para ela, avisei que você devia levar o crédito pela contribuição que desse à pesquisa. Ela aceitou, mas foi pura enganação.
— Eu vi os dados da máquina de litografia da Zenith. Quase tudo o que ela entregou era cópia do seu. Eu fui lá falar com ela, mas ela mandou eu fechar a boca, ou faria de tudo para eu não arrumar emprego em lugar nenhum.
— ...
O tempo parecia ter parado. Alana não achou que fosse passar por uma coisa dessas.
Os resultados de três anos de trabalho duro, ela sabia muito bem o sangue que deu.
Dormiu no chão do laboratório, comeu pão seco.
Não tomava nem água, para não ter que ir ao banheiro e não perder tempo.
Mesmo com febre de quarenta graus, ela tomava remédio e colocava gelo no corpo, mas não saía do laboratório de jeito nenhum.
Suas unhas apertaram o fundo da mão. A raiva ferveu em seu coração.
Ela acompanhou Ruan até a saída, tirou a roupa de doente e foi direto para o andar da presidência no hospital.
Quando o Secretário Eduardo a viu, correu para barrar a porta: — Sinto muito, senhora, mas o Sr. Rocha está ocupado.
— Avisa para ele, eu preciso falar com ele.
— O Sr. Rocha avisou que, quando ele estiver ocupado, ninguém mais pode incomodar além da Srta. Valente. — O Secretário Eduardo fez uma cara de quem queria se livrar dela.
Alana fechou a cara e ligou na hora para Matheus: — Eu estou aqui na porta da sua sala, e o seu secretário disse que você não pode me ver.
O secretário paralisou com uma expressão péssima.

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