Ela ficou imóvel, pendurada no homem como uma marionete com os fios cortados, lágrimas escorrendo pelo rosto, em um estado lastimável.
Os braços do homem a seguravam com firmeza, e o seu olhar por cima dos óculos era penetrante, como se lesse cada detalhe do rosto dela.
O coração de Alana deu um salto, e ela logo pulou do colo do homem, secando as lágrimas desajeitadamente, e disse constrangida: — D... desculpe. O... obrigada.
Por causa do susto excessivo, ela abraçou o próprio corpo que ainda tremia um pouco, num gesto instintivo.
O homem tirou o sobretudo com agilidade e a cobriu sem dar espaço para recusas, com a postura de alguém superior e uma luz de emoção indecifrável no fundo de seus olhos escuros.
Um perfume frio e intenso invadiu seu nariz, e o calor corporal que restava no tecido parecia espetar como espinhos —
Ela, que já estava assustada, ficou ainda mais em pânico.
— Obrigada, não precisa, eu não...
— Não uso coisas que os outros tocaram. — O homem a interrompeu na hora, o tom de voz calmo na superfície, mas carregado de uma autoridade irrecusável.
Ela travou e viu, com vergonha, que ainda havia algumas gotas de suas lágrimas no sobretudo.
Só de olhar a textura do tecido, dava para ver que a peça não era barata.
E o terno escuro do homem, feito à mão, também custava caro.
— Sinto muito mesmo, eu não devia ter me distraído ao atravessar a rua. Vou levar para a lavanderia e te devolvo quando estiver limpo. — Ela tentou consertar a situação, com a voz trêmula.
— Não há necessidade. — O homem recusou de novo na mesma hora, exalando uma frieza distante.
— ...
Alana ficou parada, inúmeras faces confusas passando rapidamente por sua cabeça, e não pôde deixar de perguntar: — Senhor, nós... já nos vimos em algum lugar?
Ela observou bem os traços superiores do homem, tentando buscar na memória, e teve que admitir que era um rosto perfeitamente esculpido.

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