Inês balançou a cabeça em negativa.
Rodrigo deu dois passos na direção do formigueiro de gente, olhou por cima do ombro e ordenou: — Venha.
— Já vou. — Inês o seguiu rapidamente, com os passos nitidamente mais leves. Apesar do aperto, a multidão fluía de forma organizada, avançando passo a passo. Sabia que, assim que chegassem ao mirante lá em cima, o sufoco passaria.
Algumas pessoas desistiam no meio do caminho e voltavam contra a correnteza, murmurando desculpas. Ninguém reclamava e, instintivamente, o fluxo cedia espaço. No entanto, isso causou um estrangulamento ainda maior na via. No meio desse vaivém apertado, Inês e Rodrigo estavam prestes a ser empurrados e separados.
Uma leve pontada de pânico brotou no peito de Inês. Ela virou o rosto para procurar Rodrigo, movida pelo puro instinto, embora nem ela mesma entendesse o porquê daquela reação.
No instante exato em que os seus olhos se encontraram com os dele, a sua mão foi capturada.
Uma mão grande e quente envolveu os seus dedos levemente frios. Segurava-a com firmeza.
Rodrigo esgueirou-se com o corpo e se encaixou ao lado de Inês, puxando-a consigo enquanto avançavam devagar, no ritmo da multidão.
Ela ergueu os olhos para Rodrigo, vislumbrando apenas a nuca bem cortada e a lateral do rosto dele. O nariz reto, o perfil esculpido e os lábios finos, sutilmente cerrados. Até o pomo de adão, que se movia na garganta dele, parecia desenhado com ângulos marcantes.
Quando ele virou a cabeça para fitá-la, os olhos profundos do homem lembraram um oceano mergulhado na escuridão da noite. Bastou um simples olhar, e ela sentiu-se completamente sugada por aquelas pupilas.
Tum-tum.
Em meio ao burburinho da multidão, Inês escutou as batidas do seu próprio coração, que haviam acelerado de forma abrupta.
Ao chegarem ao mirante espaçoso, o público se dispersou em várias direções, esvaziando imediatamente o entorno deles. Mas Inês continuava a sentir o mesmo sufoco de antes; seu corpo estava retesado, e a sua respiração, levemente suspensa.
Rodrigo não soltou a sua mão.
Ela abriu a boca para pedir que a soltasse, mas sentiu a garganta secar, conseguindo apenas murmurar o nome dele.
— Rodrigo...
Sempre que Rodrigo ouvia Inês chamá-lo pelo nome completo, todas as células do seu corpo fervilhavam em resposta.
Ele amava ouvir Inês pronunciar o seu nome.
Ele fixou o olhar profundamente em Inês; uma intensidade tão ardente que quase a queimou.
Inês puxou a mão de volta, soltando um "hum". Com a voz ligeiramente rouca e o olhar disperso e em pânico, virou-se para as águas do rio. Pegou o celular e ligou para Alice.
— Alô, onde vocês estão? Nós já estamos no mirante.
— Em qual mirante?
Inês ficou confusa por um instante: — E quantos mirantes têm...?
Rodrigo aproximou-se por trás dela, envolvendo-a com o seu já familiar aroma refrescante. A voz grave e agradável do homem soou mais uma vez ao pé do seu ouvido: — São cinco. Deixe que eu falo.
Ele tomou o celular da mão de Inês.
Os dedos de ambos se encostaram apenas por uma fração de segundo, muito menos tempo do que quando andaram de mãos dadas; contudo, foi o suficiente para que o corpo de Inês formigasse, como se tivesse levado um choque.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...