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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 577

Julieta jamais imaginaria que esbarraria em Inês e Rodrigo no meio daquela multidão sufocante.

Inês já não era aquela dona de casa apagada de antigamente; agora possuía fama, status e dinheiro.

Mesmo sem contar os direitos de patente, só os cinquenta milhões que ela já havia recebido de volta seriam suficientes para Inês alugar um hotel inteiro à beira-rio e celebrar a virada do ano lá com exclusividade.

Sem falar no homem ao seu lado, Rodrigo, herdeiro de uma família bilionária e o todo-poderoso do Grupo Simões.

E, no entanto, o destino fez com que seus caminhos se cruzassem ali, numa via estreita.

Julieta, de início, não queria vir a um lugar como aquele. Mas Douglas havia lhe dado nove milhões, e ela não podia simplesmente pegar o dinheiro e deixá-lo de lado; isso seria uma ingratidão sem tamanho.

Contudo, ela estava sem um tostão, e o cartão que a Família Siqueira havia dado a Douglas fora bloqueado. Sem alternativa, viu-se obrigada a estar ali, caminhando pelas ruas abarrotadas à beira do rio, como qualquer pessoa comum, para passarem a virada juntos.

Mas por que Inês estava ali?

Provavelmente a essência miserável nunca mudava. Mesmo com dinheiro e prestígio, continuava igual a antes, contentando-se com lugares daquele tipo.

Quanto a Rodrigo... seria apenas um playboy rico brincando de viver como plebeu? Se ele realmente gostasse de Inês, não deveria fechar um restaurante exclusivo ou alugar um iate luxuoso, gastando fortunas só para arrancar-lhe um sorriso?

Pelo visto, ele não gostava tanto assim dela.

Em uma simples troca de olhares, a mente de Julieta já havia montado um teatro inteiro, deixando-a com uma expressão perdida e aérea.

— Julieta? — Douglas a chamou suavemente, tentando confortá-la: — Não se preocupe. Eu estou aqui, não vou permitir que eles a ofendam.

— Douglas, vamos pelo outro lado. — Julieta não tinha a menor coragem de bater de frente com Inês e Rodrigo. Se qualquer um dos dois abrisse a boca para exigir a devolução do restante do dinheiro ali mesmo, ela passaria uma vergonha colossal diante de toda aquela gente.

Douglas ainda pensou em dizer para ela não ter medo, mas Julieta o puxou de imediato, virando-se para ir embora.

Douglas baixou os olhos para a sua mão, que estava sendo puxada, ficou paralisado por um segundo e, em seguida, entrelaçou os dedos nos dela, segurando-a com firmeza.

A cena dos dois dando as costas e fugindo não escapou aos olhos de Rodrigo. Pareciam dois cães de rua acuados. Um sorriso de desdém e frieza despontou nos lábios do homem.

Inês desviou o olhar e observou a escadaria lateral. Todos estavam subindo por ali, formando quase uma fila quilométrica.

Havia gente demais.

— Poderíamos ter ficado em casa. Por que preferiu sair?

Inês notou que ele a estava induzindo a dizer uma resposta que ambos conheciam perfeitamente bem.

Ela hesitou e ficou em silêncio por um bom tempo.

— Fale — a voz de Rodrigo soou grave, carregando um tom naturalmente intimidador. Mas, sempre que se dirigia a Inês, essa gravidade era suavizada por uma inesperada doçura: — Nada de ficar calada.

— Pela agitação — respondeu Inês.

Só sentira aquele tipo de agitação na infância, no orfanato. Depois, quando veio a escola, o doutorado direto, o trabalho e o casamento, ela nunca mais voltou a experimentar aquele calor humano da juventude.

Não é que a alegria de estar em meio à agitação desaparecesse na vida adulta, era ela mesma quem a havia perdido.

Ela só queria estar no meio da multidão vibrante e viver uma virada de ano cheia de barulho e vida.

— E tem como sentir essa agitação em um lugar vazio? — Rodrigo rebateu com outra pergunta.

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