Foi como se realmente tivessem se encontrado por acaso, apenas dividido uma mesa para o jantar e trocado algumas palavras.
— Vocês vieram de carro? Podemos dar uma carona até em casa, se for no caminho — perguntou Robson, ao chegarem à beira da calçada.
— Nós viemos de carro, Sr. Siqueira. Voltem para descansar cedo — respondeu Alice, sorrindo.
— Está bem — assentiu Robson.
— Se no futuro o meu filho voltar a ser insolente com a Dra. Jardim, pode entrar em contato diretamente comigo. Eu o colocarei na linha — disse Robson, que, após dar alguns passos, parecendo ter se lembrado de algo, voltou e entregou um cartão de visitas para Inês.
Robson havia ingressado na política na juventude e passado para os negócios na meia-idade. Naquela ocasião no Palácio Red, ele ouviu o filho usar a palavra "órfã" ao se referir a Inês, além de notar as entrelinhas hostis na discussão entre ele e Rodrigo.
Somado à relação entre o ex-marido de Inês e a mulher por quem seu filho era apaixonado, ele já havia deduzido a dinâmica entre eles. Era evidente que já se conheciam e que o seu filho problemático, sem dúvida, havia desrespeitado Inês.
— Sr. Siqueira, cuidado no caminho de volta — disse Inês, que percebeu que era incapaz de recusar o gesto daquele senhor e pegou o cartão.
— Certo. Vocês duas também — acenou Robson, com carinho.
Ao entrar no carro, Robson ordenou ao motorista que seguisse direto para o hotel, sem nenhuma parada.
O interior do veículo mergulhou no silêncio.
— Quer que eu vá a Cidade GIO mais uma vez? — perguntou Santiago, quebrando o silêncio muito tempo depois, após lançar dois ou três olhares para Robson.
Robson demorou a responder, parecendo perdido em lembranças. Levou um bom tempo até voltar a si.
— Não é necessário. Se for possível, descubra quais são as preferências de Inês... Esqueça, eu mesmo farei isso. Você provavelmente não conseguiria descobrir de qualquer forma — disse ele.
Ele ainda poderia descobrir algumas coisas por meio da Sra. Paz e dos irmãos da Família Simões.
De volta ao hotel.
— E quanto tempo pretende ficar em casa desta vez? — indagou Robson.
— Muito, muito tempo, é claro. Quero fazer companhia para você e para a mamãe para sempre — respondeu Lucinda.
Robson abriu um sorriso paternal.
— Onde está o seu irmão? — perguntou ele ao saírem do elevador e passarem pelo quarto de hotel de Douglas, cujo indicador eletrônico na porta deixava óbvio que ele não estava lá.
— Deve ter ido encontrar uns amigos — respondeu Lucinda.
— Certo. Diga a ele para vir me ver hoje à noite, antes de dormir — murmurou Robson, sem insistir, mas com um tom um pouco mais severo.
O coração de Lucinda deu um salto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...