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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 536

A Família Rocha assentiu repetidamente.

Ainda não eram permitidas visitas, então os três precisaram se contentar em observá-la de longe através do vidro da sala de recuperação.

Geraldo voltou-se para o filho:

— Você ouviu bem. O tratamento precisa continuar e os gastos serão altíssimos. Não se deixe levar pelas mentiras de Julieta a ponto de entregar o dinheiro da recuperação da sua mãe e do sustento da nossa família.

Abel assentiu com firmeza.

— Isso não vai acontecer.

— Sobre o bebê... — A voz de Geraldo falhou levemente. — A nossa Família Rocha não tinha ligação com essa criança. Não carregue o peso do mundo nas costas. Julieta não conhece a verdade e é mestre em encenações. Não acredite em mais nada que ela disser. Não seja tolo, ou vai acabar como a Inês.

A última frase do pai foi como um golpe que estilhaçou Abel por dentro.

Ele inventou uma desculpa rápida de que precisava usar o banheiro, quando, na verdade, só queria se esconder lá para fumar. Mas o fumo era proibido no hospital. Restou-lhe morder o cigarro apagado entre os lábios, brincando de acender e apagar o isqueiro. A pequena chama iluminava seus olhos injetados e vermelhos.

Lágrimas escorreram em silêncio.

Ele atirou o cigarro no lixo, guardou o isqueiro e puxou o celular. Sentia uma vontade imensa de avisar a Inês que a cirurgia da mãe havia sido um sucesso.

Uma alegria daquelas deveria ser dividida com ela.

Porém, Inês o bloqueara há muito tempo.

Abel abriu sua conta secundária, onde se passava por Augusto Ramalho. Digitou, apagou, redigiu novamente e, por fim, enviou uma única frase:

[A mãe de Abel passou por uma cirurgia hoje. Foi um sucesso.]

Ao ler aquilo, Inês sequer soube o que responder. O que Augusto queria lhe dizendo isso?

O sucesso ou o fracasso da cirurgia de Branca não tinha a menor relevância para a sua vida.

Sem receber resposta, Abel abriu a página de atualizações dela. Nada. As postagens estavam restritas aos últimos três dias, e tudo estava em branco.

Até mesmo a publicação em que ela anunciava o divórcio havia sumido. Ele tornara-se, em definitivo, um passado que Inês repudiava sequer mencionar.

Abel atualizava a página freneticamente, descendo e subindo a tela, como se aquele gesto pudesse, num milagre, forçar alguma notícia de Inês a surgir.

Repetiu o processo diversas vezes. Todas, sem sucesso.

No entanto, não desistia.

Era como se estivesse eternamente aprisionado ali.

Enquanto isso, Inês já havia seguido em frente. Naquele momento, ela estava completamente focada em resolver testes teóricos de direção. Afinal, estudar sempre fora o seu forte.

Ela era a clássica "garota do interior que vivia para estudar", como muitos a descreviam.

Quanto à parte prática, Rodrigo assumira o papel de instrutor. O local escolhido foi o recém-inaugurado estacionamento a céu aberto do Grupo Simões. Parado ali estava um imponente Maybach preto.

Acomodada no banco do motorista, Inês afundou no assento macio e espaçoso. Foi então que percebeu não conseguir alcançar os pedais confortavelmente.

Não parecia nada com os tutoriais da internet.

Claro, o carro era completamente diferente.

Ela parou, desnorteada. Suas mãos tateavam às cegas em busca dos botões de ajuste. Depois de muito procurar sem sucesso, o banco ainda não havia se movido um milímetro.

De repente, Rodrigo inclinou-se sobre ela. Seu braço envolveu as costas de Inês até que os dedos encontraram os comandos na lateral do banco.

O calor da respiração dele roçou suavemente o topo de sua cabeça. Aquele perfume masculino sutil, fresco e marcante preencheu todo o espaço ao seu redor.

Lentamente, o assento se moveu para frente e ergueu-se, ajustando-se perfeitamente à estatura dela.

Apesar de ter terminado, Rodrigo não recuou de imediato. Com o braço ainda pairando protetoramente próximo aos ombros dela, indagou num murmúrio:

— Já alcança os pedais?

O olhar de Inês vacilou. Ela assentiu em silêncio.

— Sim.

O tom era frio, mas as batidas do coração aceleravam sem controle.

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