— Eu não fiz de propósito, foi sem querer.
— Quem garante se foi sem querer ou de propósito? — retrucou a mãe de Julieta. — Você nunca quis esse bebê. Mesmo com ela grávida, você jamais pensou em se casar com ela. Por acaso ela engravidou sozinha?
Abel foi humilhado e não ousou retrucar.
Após refletir bastante, só conseguiu murmurar uma frase:
— Eu vou compensá-la de alguma forma.
— E como você acha que vai compensar isso? — gritou a mãe. — Suma daqui! Vá para o diabo que o carregue!
Enxotado dali, Abel teve que seguir de um quarto do hospital para outro.
Mas, antes de chegar à porta do quarto da mãe, o acúmulo de pressões fez sua cabeça latejar de dor a ponto de estourar, e ele desmaiou.
— Irmão! — gritou Mariana, que por acaso saía do quarto naquele exato momento.
Mariana correu até ele, mas não tinha forças para erguer o corpo desacordado do irmão. Ela começou a chorar de desespero.
— Irmão, o que aconteceu com você? Enfermeira! Doutor! Doutor!
Ela gritava a plenos pulmões.
O pai, ouvindo o alvoroço, saiu do quarto. As enfermeiras também correram, e, juntos, conseguiram colocar Abel numa cama.
Após exames preliminares, descartou-se qualquer lesão orgânica. A suspeita era de exaustão extrema e sobrecarga de estresse emocional.
Com o colapso de Abel, a pessoa que chorou com mais desolação foi Mariana.
Era como se o pilar que sustentava a família tivesse desmoronado.
Mariana estava não só preocupada com o bem-estar do irmão, mas também aterrorizada.
Ultimamente, a expressão "uma desgraça nunca vem só" já não era suficiente para descrever a situação da Família Rocha. Estavam vivendo um inferno de calamidades, uma tragédia após a outra.
Abel ardia em febre alta.
No delírio febril, ele ora chamava pelo bebê, ora pedia desculpas, ora clamava pelo nome de Inês.
No fim, apenas o nome de Inês ecoava em seus murmúrios.
Mariana enxugou as lágrimas e, mais uma vez, forçou a entrada na Mansão Serra Sul 9. Ao ouvir o latido dos cães, chorou ainda mais copiosamente.
— Inês! Cunhada! Minha cunhada!
— Você pode, por favor, ver como está o meu irmão?!
— Esse tipo de drama de aborto não costuma acontecer entre a amante e a esposa legítima? Como foi acontecer entre a amante e o protagonista masculino?
Inês olhou para a Sra. Silveira.
O que ela queria dizer com aquilo?
Será que aquilo a envolvia de alguma forma?
Com a perspectiva afiada de quem lê romances, a Sra. Silveira explicou o clássico enredo onde a amante forja um aborto para incriminar a protagonista. Nesses casos, o protagonista sempre chega no momento exato para ver a amante caída e a mocinha ao lado, resultando em mal-entendidos e acusações injustas.
Inês permaneceu em silêncio.
Rodrigo também não disse nada.
Contudo, Inês se lembrou do episódio anterior com a água com açúcar mascavo. Tinha sido exatamente o mesmo roteiro.
— Mas, desta vez, foi o próprio rapaz da Família Rocha quem acidentalmente causou o aborto da amante. Quebrou o feitiço, quebrou o feitiço! — continuou a Sra. Silveira. — Ainda assim, esse enredo é bem inovador. Só não sei se foi realmente um acidente ou uma armação.
Embora a Sra. Silveira já tivesse consumido inúmeros audiolivros do gênero, aquela reviravolta criativa ainda a deixava intrigada.
— Se foi sem querer, então os dois tiveram o que mereciam.
— Se foi uma armação, esse Rocha se deu muito mal. Como diz o velho ditado: 'quem mais amamos é quem mais nos machuca'. — A Sra. Silveira estalou a língua diversas vezes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...